O embate entre Gilmar Mendes e André Mendonça revela as tensões internas no STF e levanta questões sobre o uso político das investigações em ano eleitoral
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, voltou a movimentar os bastidores da corte ao protocolar um documento contundente contra o colega André Mendonça. O foco da disputa é a condução do caso Banco Master, que tem gerado faíscas constantes entre os magistrados.
Segundo o documento apresentado, Mendes acusa Mendonça de agir com um inequívoco viés político-eleitoral. O decano argumenta que houve uma demora proposital na divulgação de documentos para coincidir com o período das eleições, visando gerar constrangimento a outros ministros, como Alexandre de Moraes.
A denúncia, conforme informações reportadas pelo colunista Fabiano Braga, coloca em xeque a imparcialidade de procedimentos internos. O texto detalha que mensagens sobre o caso circulavam desde março e um relatório preliminar já estava disponível em abril, mas só teria ganhado corpo no calendário eleitoral.
A estratégia do timing e o questionamento sobre a Polícia Federal
Para Gilmar Mendes, a escolha do momento para a produção e divulgação de relatórios da Polícia Federal não foi uma coincidência. Ele aponta que a proximidade com o 7 de setembro foi uma manobra deliberada para maximizar o impacto político da investigação.
O ministro questiona por que o material foi divulgado antes de passar pelo plenário, sugerindo que o objetivo de Mendonça era limitar a capacidade de reação dos seus pares. Essa postura de guardião das regras regimentais tem sido uma marca recorrente nas intervenções públicas do decano.
Conflitos recorrentes e a disputa por protagonismo no STF
Não é a primeira vez que os dois ministros se estranham publicamente. Recentemente, Mendes chegou a utilizar termos fortes como pixuleco e boneco eleitoral para se referir a Mendonça, evidenciando que a convivência na corte está longe de ser harmoniosa.
Além de mirar Mendonça, o documento também critica o ministro Edson Fachin. Mendes contesta a forma como Fachin assumiu a relatoria de um dos procedimentos, alegando que não houve o devido sorteio, o que, na visão do decano, fere as normas da casa.
Rivalidade institucional ou jogo de poder?
A escalada desse conflito teve um ponto de inflexão importante em junho, quando Gilmar Mendes classificou como um erro crasso a participação de Mendonça em tratativas de delação ligadas ao caso Banco Master.
Desde então, o que se observa é uma sucessão de notas e entrevistas inflamadas. Enquanto Mendes se apresenta como o defensor da institucionalidade, críticos apontam que o decano também utiliza esses momentos de tensão para reforçar seu próprio protagonismo no centro do debate político nacional.

