Governo lança quinto leilão Eco Invest com meta de R$ 50 bilhões para impulsionar inovação em áreas estratégicas

O governo federal deu um passo significativo para o fomento à inovação, anunciando nesta segunda-feira (25) o quinto leilão do programa Eco Invest. A iniciativa tem como objetivo principal arrecadar até R$ 50 bilhões, recursos que serão direcionados para impulsionar o desenvolvimento em setores cruciais como minerais críticos, fertilizantes verdes, bioinsumos, combustíveis verdes e baterias.

Esta nova rodada de captação de investimentos é projetada para oferecer linhas de crédito em seis áreas distintas, com o propósito de incentivar projetos tecnológicos sustentáveis desde a sua concepção. Uma das metas centrais é fortalecer a conexão entre empresas e instituições acadêmicas, como universidades e centros de pesquisa, tanto no Brasil quanto no exterior.

O programa Eco Invest busca, com esta iniciativa, superar os chamados “vales da morte” da inovação, que dificultam a transição de ideias para produtos comercializáveis. Conforme divulgado pelo Ministério da Fazenda, o leilão visa criar seis fundos de inovação dedicados a áreas como fertilizantes verdes, bioinsumos, combustíveis verdes, automação, sistemas de baterias, química verde e gestão de resíduos. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que destacou a importância da colaboração entre o Estado e a iniciativa privada para o avanço tecnológico do país.

Seis Fundos de Inovação para um Futuro Sustentável

Os seis fundos de inovação que serão criados cobrem áreas de grande potencial e relevância estratégica. Estão incluídos fertilizantes verdes, bioinsumos e proteínas alternativas, combustíveis verdes e avançados, biogás e biometano, automação e inteligência artificial para processos produtivos, sistemas de baterias e beneficiamento de minerais críticos, química verde e biomateriais, além de resíduos minerais e industriais. Essa diversidade de foco demonstra o compromisso do governo em abranger múltiplos setores da economia verde.

Estrutura de Investimento e Expectativa de Arrecadação

O Tesouro Nacional se comprometeu a aportar um total de R$ 9 bilhões, distribuídos igualmente entre os fundos, com R$ 1,5 bilhão para cada um. As instituições financeiras participantes deverão alavancar esse valor, investindo no mínimo o dobro do aporte público, com a possibilidade de chegarem a R$ 4,5 bilhões por fundo. Adicionalmente, o governo destinará até R$ 1 bilhão para uma linha de crédito corporativo, exigindo que os bancos complementem com pelo menos o dobro desse montante. Considerando o investimento máximo das instituições financeiras, a expectativa é que o total de recursos alcance R$ 50 bilhões.

Critérios de Seleção e Modelo de Financiamento Misto

A seleção dos projetos vencedores no leilão será baseada principalmente no critério de alavancagem do fundo de inovação. As instituições que oferecerem o maior aporte financeiro em relação aos R$ 1,5 bilhão públicos terão preferência. Os recursos deverão ser obrigatoriamente investidos em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), que podem ser liderados por empresas, startups brasileiras ou em colaboração com entidades estrangeiras. Para o crédito corporativo, o valor mínimo por proposta é de R$ 100 milhões, com alavancagem mínima de três vezes esse montante. Um terceiro critério importante é a porcentagem de financiamento destinada a parcerias com universidades e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação, com um mínimo de 10% de investimento nessas entidades.

O Eco Invest opera sob o conceito de “blend finance” ou finanças mistas. Neste modelo, o governo oferece recursos com juros baixos, barateando o custo do financiamento, enquanto a iniciativa privada complementa o investimento. Estimativas indicam que, para cada R$ 1 investido pelo governo, a iniciativa privada contribui com, no mínimo, R$ 4. O programa também disponibiliza ferramentas de hedge cambial para mitigar riscos associados à volatilidade do câmbio, um fator relevante para economias emergentes como o Brasil.

Foco em Minerais Críticos e Biofertilizantes para Reduzir Dependência

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, ressaltou a importância desta nova rodada, especialmente para as áreas de biofertilizantes e minerais críticos. O Brasil, atualmente, é dependente da importação de biofertilizantes, e o desenvolvimento tecnológico neste setor é visto como essencial. Quanto aos minerais críticos, o país busca agregar valor aos seus recursos, transformando-se de mero exportador de commodities como as terras-raras em produtor de bens de maior valor agregado. Minerais como lítio, nióbio, cobalto, grafite e terras-raras são considerados críticos por serem essenciais para setores-chave e terem oferta concentrada em poucos países.

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, enfatizou que o Eco Invest estimula a agregação de valor, permitindo que o Brasil processe e industrialize minerais críticos, vendendo produtos com maior valor agregado. Isso, segundo ele, reduz a pressão sobre o meio ambiente e a atividade de mineração. O país possui vastas reservas de minerais como o lítio (8% das reservas mundiais) e o nióbio (93,1% das reservas globais), com grande potencial para a indústria de baterias e setores aeroespaciais, respectivamente.

Resultados Anteriores e Perspectivas Futuras

Durante o evento, foram divulgados os resultados do quarto leilão do Eco Invest, focado em bioeconomia, turismo sustentável e infraestrutura na Amazônia Legal. Quatro bancos foram selecionados: Bradesco, BTG Pactual, Banco do Brasil e ABC Brasil. Foram homologados R$ 3,1 bilhões em capital, viabilizando cerca de R$ 13,2 bilhões em investimentos totais, incluindo R$ 7,2 bilhões com captação internacional. O eixo de infraestrutura concentrou o maior volume de recursos, com R$ 7,8 bilhões, seguido pela bioeconomia com R$ 4,4 bilhões e o turismo sustentável com aproximadamente R$ 900 milhões.

By Vanessa