Brasil se consolida como potência agrícola mundial impulsionado por tensões globais e expansão da SLC Agrícola

O Brasil emergiu como um porto seguro para a agricultura global. Em meio a conflitos internacionais e disputas comerciais, o país tem atraído contratos antes destinados a outras nações. Aurélio Pavinato, presidente-executivo da SLC Agrícola (SLCE3), a maior produtora agrícola do Brasil, explicou essa transformação e como sua empresa está se posicionando para lucrar com esse cenário em sua participação no programa ExpertTalks Na Mesa com CEOs, da XP.

A geopolítica tem sido um motor crucial para essa mudança. A invasão da Ucrânia transformou o Brasil em uma alternativa viável para exportação de milho. Anteriormente, durante a guerra comercial entre Estados Unidos e China sob o governo Trump, o país assumiu o papel de fornecedor confiável de soja. Agora, com o conflito no Oriente Médio ainda em curso, o padrão se repete.

“O Brasil está se fortalecendo como um país pacífico, um país que tem potencial cada vez para produzir mais”, afirmou Pavinato. Projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicam que o Brasil será o principal responsável pelo crescimento da produção agrícola mundial nas próximas décadas, consolidando-se como o “grande celeiro do mundo”.

Logística: O principal gargalo a ser superado

Apesar do cenário promissor, Pavinato destacou a logística como o principal obstáculo para o crescimento do agronegócio brasileiro. O custo para transportar a produção da fazenda até o porto é significativamente maior no Brasil em comparação com Argentina ou Estados Unidos, o que impacta diretamente a margem do produtor. Para o executivo, a resolução desse gargalo é o caminho mais direto para agregar valor ao agro nacional.

“Essa melhoria da infraestrutura logística vai destravar valor, porque esse frete menor vai se transferir para um valor maior do produto na fazenda”, explicou. Ele também ressaltou que as fazendas da SLC funcionam como ativos que se valorizam com o tempo, com o preço da terra no Cerrado ainda abaixo dos valores praticados em regiões comparáveis dos Estados Unidos e Argentina. A expectativa é que essa diferença diminua com melhorias logísticas e aumento de produtividade.

Estratégias de investimento e expansão da SLC Agrícola

A SLC Agrícola tem implementado estratégias para otimizar suas operações e expandir sua capacidade produtiva. No ano passado, a empresa vendeu R$ 1 bilhão em propriedades rurais para fundos, utilizando o capital para instalar sistemas de irrigação nas mesmas fazendas. Essa iniciativa permitiu que áreas antes dependentes da chuva passassem a produzir duas safras por ano, aumentando a produtividade em até 220%.

A companhia estuda replicar essa estratégia em outras áreas. Em relação aos dividendos, a política da SLC Agrícola é distribuir metade do lucro líquido, prática mantida desde 2017. Nos últimos cinco anos, o retorno médio para o acionista foi de 5,2% ao ano, garantindo à empresa um lugar no índice de dividendos da B3 (IDIV).

Irrigação como defesa contra eventos climáticos

Diante da previsão do fenômeno El Niño, que pode causar secas, a SLC Agrícola está ampliando sua área irrigada de 16 mil para 53 mil hectares, com foco especial nas fazendas da Bahia, região historicamente mais vulnerável. A fazenda Piratini, com 18 mil hectares, estará completamente irrigada em agosto, uma medida para mitigar os efeitos de veranicos sobre a operação.

Pavinato também destacou a importância da formação de pessoas como um pilar estratégico para o crescimento da empresa ao longo de três décadas. Oito em cada dez líderes da SLC foram promovidos internamente, e a companhia investe em programas de capacitação, desde estágio até ensino fundamental e médio dentro das fazendas. A meta é que todos os colaboradores tenham ao menos o ensino fundamental completo até 2030, reforçando que “empresas são feitas de pessoas no fim do dia”.

By Vanessa