Conflito internacional e elevação do preço do petróleo podem adiantar a parada do Copom, segundo avaliação do secretário do Tesouro, com impacto sobre o calendário de cortes da Selic
O aumento do preço do petróleo após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã pode antecipar a parada do Copom, segundo avaliação do secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron.
Apesar disso, Ceron afirmou que essa alta não deve afetar a próxima decisão do Comitê de Política Monetária, marcada para março, a menos que os preços subam de forma mais intensa.
As informações foram dadas em evento do jornal Valor Econômico, conforme informação divulgada pelo Valor Econômico.
Impacto imediato e cenário cambial
Segundo Ceron, “Me parece que está um cenário traçado e, obviamente, a princípio, não tem um efeito relevante nesse primeiro momento se o petróleo ficar mais ou menos nesse patamar, dada a apreciação cambial que aconteceu”, declaração feita em evento do Valor Econômico.
Ou seja, a apreciação do câmbio tem mitigado o choque internacional no curto prazo, o que, na visão do secretário, mantém a trajetória prevista para a política monetária por ora.
Risco de antecipação da parada do Copom
Ceron disse que um aumento mais intenso do petróleo tornaria mais provável uma parada do ciclo de cortes antes do esperado, mudando o ritmo com que o Banco Central reduz a Selic.
Em janeiro, o Copom manteve a Selic em 15%, mas sinalizou uma redução na próxima reunião, marcada para 18 de março, caso o cenário evolua como o comitê espera.
Expectativas de mercado e horizonte da Selic
O mercado, medido pela mediana do relatório Focus, projeta que a Selic termine 2026 em 12%, expectativa que pode ser revista se choques externos elevarem a inflação ou pressionarem a moeda.
Assim, a possibilidade de antecipar a parada do Copom reflete a sensibilidade das decisões do BC a choques de oferta globais, como a alta do petróleo.
A avaliação sobre o Banco Central
Ceron também avaliou a condução da política monetária, destacando a atuação da autoridade, “muito competente, muito estável, e sabe conduzir isso muito adequadamente”.
Essa confiança reforça a expectativa de que o Copom seguirá avaliando, reunião a reunião, os efeitos de choques externos e domésticos antes de alterar a trajetória de juros.
Em resumo, para o secretário do Tesouro, a alta atual do petróleo não muda a próxima decisão do Copom, mas uma escalada nos preços pode antecipar a parada do ciclo de cortes que tem sido projetado para 2026.