Aguarde, Carregando

Hamas aceita desarmamento em acordo histórico para fim da guerra em Gaza, mas Israel impõe condições para retirada

Hamas anuncia acordo para desarmamento em Gaza, abrindo caminho para possível fim do conflito

Autoridades ligadas ao Hamas informaram à Associated Press (AP) que o grupo aceitou um acordo para seu desarmamento, um passo que pode significar o fim da guerra na Faixa de Gaza. A implementação, no entanto, é complexa e depende de contrapartidas de Israel.

Segundo um membro do Hamas e uma autoridade regional envolvidos nas negociações, o grupo concorda com um plano de desarmamento desde que Israel encerre as hostilidades e retire suas tropas do território palestino. Este anúncio surge nove meses após um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos.

O plano detalhado, com 20 pontos, prevê a entrega de armas pelo Hamas, a destruição de sua rede de túneis, a retirada das forças israelenses de Gaza, a formação de um governo tecnocrático palestino, o envio de uma Força Internacional de Estabilização (ISF) e a reconstrução do enclave. O acordo foi anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e as negociações sobre sua implementação estavam em um ponto de impasse crucial: o desarmamento do Hamas.

Acordo prevê desarmamento gradual e retirada de tropas israelenses

O presidente Donald Trump explicou nas redes sociais que o acordo será implementado em fases. À medida que o desarmamento avançar, as tropas israelenses deixarão Gaza e a ISF atuará em conjunto com uma nova força policial palestina para garantir a segurança local. Esta é uma mudança histórica para o Hamas, cuja identidade militar é central para sua fundação e ideologia de resistência armada.

Uma cópia do acordo, verificada pela AP, detalha que as armas da polícia de Gaza serão transferidas para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza, um órgão tecnocrático apoiado pelos EUA, assim que este assumir suas funções. O início desse processo está atrelado à execução de outras etapas do acordo.

A desativação e o armazenamento de armamentos pesados, instalações militares e túneis do Hamas também estão previstos. Essa fase começará após a chegada do comitê palestino e da ISF, e estará diretamente ligada à retirada gradual das forças israelenses das áreas que ocupam atualmente em Gaza.

Israel impõe condições para retirada e desmilitarização

Contudo, uma autoridade israelense, sob condição de anonimato, afirmou que Israel não deixará as regiões que ocupa em Gaza – cerca de 60% do território – antes que o Hamas seja desarmado e a Faixa de Gaza seja desmilitarizada. Essa declaração contrasta com a ideia de uma retirada simultânea ou faseada com o desarmamento.

Israel participou de todas as etapas do processo de negociação, embora não seja um signatário direto do acordo, que foi firmado entre o Hamas e os países mediadores e garantidores do cessar-fogo: Estados Unidos, Turquia, Egito e Catar. Autoridades americanas e do Conselho da Paz, órgão criado por Trump, indicaram que a entrega inicial de armas se refere à polícia de Gaza, não abrangendo a maior parte dos combatentes do Hamas nem seu arsenal pesado.

A desativação completa do armamento e da infraestrutura militar do Hamas é estimada entre 200 e 350 dias, embora este cronograma não conste na versão do acordo obtida pela AP. Fontes ligadas ao Hamas afirmam que o grupo e outras facções concordaram em recolher e armazenar armas pesadas sob supervisão do comitê tecnocrático palestino, sem entregá-las a Israel ou a outras partes não palestinas.

Comitê tecnocrático palestino aguarda entrada em Gaza, mas prevê obstáculos

Uma autoridade americana confirmou que Israel foi consultado durante toda a negociação, mas o governo israelense não assumirá compromissos além do plano original de cessar-fogo. Integrantes do comitê tecnocrático palestino esperam entrar em Gaza em até dois meses, mas reconhecem que Israel pode criar obstáculos.

O comitê também alertou que a reconstrução das instituições públicas e da infraestrutura do território será um desafio de grandes proporções. A guerra teve início em 7 de outubro de 2023, após um ataque do Hamas ao sul de Israel que resultou em cerca de 1.200 mortes e 251 reféns. A ofensiva israelense em resposta, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, matou mais de 73 mil palestinos, em meio a uma grave crise humanitária com grande parte da população deslocada e vivendo em acampamentos improvisados.

Rolar para cima