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Ibovespa em Queda: Aversão ao Risco Global e Alta do Petróleo Impactam Mercado Brasileiro

Ibovespa recua em dia de aversão ao risco global, com petróleo Brent superando US$ 100 e juros futuros em alta.

O Ibovespa encerrou a sessão de quinta-feira (23) em baixa, refletindo um sentimento de aversão ao risco que contagiou os mercados globais. A escalada das tensões no Oriente Médio impulsionou o preço do barril de petróleo Brent acima dos US$ 100, enquanto o avanço dos juros futuros pressionou a performance de bancos e ações cíclicas.

As ameaças de retaliação do presidente dos EUA, Donald Trump, a ataques a navios sauditas e a possibilidade de uma ação militar contra o Irã acenderam o alerta sobre possíveis interrupções no fluxo de petróleo pelo Golfo Pérsico. Esse cenário, conforme relatado pela Capital Economics, começa a impactar de forma mais ampla os mercados financeiros, para além do setor de dívidas.

Apesar do clima de incerteza, a presença de empresas ligadas a commodities na carteira do Ibovespa ajudou a amortecer as perdas em comparação com outros mercados internacionais. Mesmo assim, as bolsas globais sentiram o peso do noticiário, com o Dow Jones, Nasdaq e S&P 500 registrando quedas significativas. Segundo a fonte, a resposta desfavorável ao balanço da Alphabet também contribuiu para o pessimismo.

Alta do petróleo e inflação elevam expectativas de juros nos EUA

O aumento nos preços do petróleo alimentou os receios sobre a inflação global, o que, por sua vez, intensificou as apostas em um aperto monetário mais agressivo por parte do Federal Reserve (Fed). A ferramenta do CME Group indica que a probabilidade de elevação dos juros nos Estados Unidos já ultrapassa 80%.

Juros futuros locais sobem e pressionam ações cíclicas e financeiras

O pessimismo com a política monetária não se limitou aos EUA, refletindo-se também na curva de juros brasileira. As taxas de juros futuras, especialmente no trecho intermediário, apresentaram alta de cerca de 20 pontos-base. Essa dinâmica, segundo Marcel Lima, especialista da Valor Investimentos, afeta diretamente ações de setores mais sensíveis aos juros, como varejo e imobiliárias.

A realização de lucros também atingiu o setor financeiro, que havia apresentado ganhos expressivos na sessão anterior. Ações como Hapvida (-8,08%), Totvs (-6,37%), Assaí (-4,52%) e MRV (-4,27%) figuraram entre as maiores baixas do Ibovespa. Itaûa Unibanco PN e Bradesco PN também registraram quedas.

Commodities e exportadoras sustentam ganhos pontuais em dia de volatilidade

Em contraponto, a lista das ações com melhor desempenho foi majoritariamente composta por exportadoras, beneficiadas pela alta do dólar, e empresas ligadas ao setor de petróleo, como Vibra (+1,77%) e Petrobras ON (+1,67%). A Vale ON (+0,77%), impulsionada pela recuperação do minério de ferro e dados operacionais positivos, também contribuiu para limitar as perdas do índice.

Para especialistas, o movimento de baixa pode ter um caráter mais conjuntural, com a volatilidade tendendo a diminuir à medida que o mercado encontra soluções para a questão da oferta de petróleo. A possibilidade de rotas alternativas e a dinâmica do mercado são fatores a serem observados.

O Ibovespa fechou a sessão com uma desvalorização de 0,46%, aos 176.723,62 pontos, com um giro financeiro de R$ 21,15 bilhões. No mês de julho, o índice acumula alta de 2,73%.

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