Entenda o que realmente coloca em xeque o sucesso financeiro do investidor, indo além da simples variação de preços e focando em metas de vida.
A definição tradicional de risco no mundo dos investimentos frequentemente se resume à volatilidade, ou seja, a intensidade com que o preço de um ativo oscila e a possibilidade de perdas no curto prazo. No entanto, essa visão é considerada incompleta quando o assunto são os investidores pessoas físicas.
Para Rodrigo Sgavioli, sócio e head de alocação da XP, o investidor não busca apenas rentabilidade, mas sim a concretização de objetivos de vida. Comprar um imóvel, custear a educação dos filhos, garantir uma aposentadoria tranquila ou deixar um patrimônio para os herdeiros são metas que exigem uma análise de risco mais aprofundada.
“Precisamos olhar por outra ótica: elas têm objetivos diferentes ao longo do tempo”, destacou Sgavioli durante o painel “Se o CDI não é livre de risco, qual o papel do assessor?”, realizado na Expert XP 2026. A reflexão central é se o maior risco é a oscilação pontual ou a incapacidade de financiar os planos de vida. Conforme informação divulgada pela XP, essa análise foi apresentada nesta quinta-feira (23), em São Paulo.
Horizonte de Tempo: O Grande Diferenciador do Risco
O horizonte de tempo é um dos fatores cruciais para determinar o risco de um investimento. Para quem planeja comprar um imóvel em um ano, por exemplo, uma desvalorização expressiva pode comprometer diretamente o objetivo, pois há pouco tempo para uma eventual recuperação do mercado.
Em contrapartida, para quem investe pensando na aposentadoria, com um prazo de décadas, as oscilações de curto prazo tendem a ter um impacto menor. Isso, contudo, pressupõe que a carteira esteja alinhada com o objetivo e o longo prazo.
“Quanto maior o horizonte para alcançar um objetivo, menos a volatilidade representa o risco”, explicou Sgavioli. Essa perspectiva demonstra que não existe uma resposta única para qual é o investimento mais seguro, pois a segurança está atrelada ao perfil e às metas de cada indivíduo.
CDI: Referência Limitada para Objetivos de Longo Prazo
O Certificado de Depósito Interbancário (CDI) é frequentemente visto como uma referência de segurança devido à sua baixa volatilidade e acompanhamento dos juros de curto prazo. Contudo, sob a ótica de não atingir objetivos, o CDI pode não ser a opção mais adequada para todos os prazos.
Um ativo verdadeiramente livre de risco, segundo Sgavioli, deveria combinar baixa probabilidade de calote, proteção em momentos de crise e, fundamentalmente, capacidade de aumentar a chance de o investidor alcançar seus objetivos. O CDI, por si só, não garante a rentabilidade futura em prazos extensos.
“Quando invisto no CDI, qual será a minha rentabilidade em dez anos? Não se sabe”, pontuou. Embora o CDI tenha sua função para objetivos de curto prazo e liquidez, depender dele como única métrica pode levar a decisões equivocadas, especialmente em cenários de juros flutuantes.
O Papel Crucial do Assessor de Investimentos
O comportamento do investidor é outro fator que pode afastá-lo de suas metas. Em momentos de alta, a tendência é querer investir em ativos que já subiram, e em quedas, vender justamente quando os preços estão baixos, uma atitude contraproducente.
Uma das principais funções do assessor, segundo Sgavioli, é evitar que o cliente altere a estratégia a cada movimento do mercado. “Quando tudo estiver subindo, o investidor vai querer comprar tudo. Quando tudo estiver caindo, vai querer vender tudo”, alertou.
O diferencial do assessor não é encontrar a “bala de prata” que enriquecerá o cliente da noite para o dia, mas sim ajudar o investidor a manter uma estratégia coerente com seus objetivos de longo prazo. O profissional que se destaca é aquele que “entende de gente e entende como o portfólio se encaixa nas necessidades do cliente”, concluindo que a avaliação da carteira deve focar em aumentar a probabilidade de o investidor alcançar seus planos de vida.

