Ibovespa Hoje, IPCA-15 de 0,84% pressiona Bolsa, dólar próximo de R$5,13, juros futuros sobem, e Wall Street fraco por PPI e inquietação com tecnologia
O pregão desta sexta-feira mostrou volatilidade, com quedas no índice acionário e reação às surpresas de inflação no Brasil e nos Estados Unidos.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15, o IPCA-15, veio acima do esperado, e isso elevou a cautela entre investidores locais.
As informações do dia foram compiladas a partir de reportagens da Reuters, dos dados do IBGE e da cobertura do mercado pela Infomoney.
IPCA-15, o choque e o impacto imediato
O IBGE informou que o IPCA-15 subiu 0,84% em fevereiro, acima da mediana das projeções, influenciado por passagens aéreas e mensalidades escolares.
Analistas apontam que parte do movimento tem caráter sazonal, porém a surpresa elevou as taxas dos DIs no curto prazo, reduzindo o apetite por ações ligadas à economia doméstica.
Segundo a reportagem, a taxa do DI para janeiro de 2028 subia mais de 10 pontos-base logo no início da tarde, refletindo maior percepção de risco e custo de financiamento.
A leitura do pregão brasileiro, números e reações
Na sessão, o Ibovespa chegou a recuar para 189,4 mil pontos, com perdas ampliadas pela movimentação negativa em Wall Street.
O dólar comercial recuou em parte do dia para cerca de R$ 5,13, mas mostrou volatilidade à medida que investidores reajustavam posições para a formação da Ptax de fim de mês.
O volume financeiro do pregão somava R$9,02 bilhões, e executivos e gestores citaram realização de lucros como fator extra de pressão.
Exterior em baixa, PPI e tecnologia em foco
Nos Estados Unidos, os mercados recuaram, com índices líderes em terreno negativo, influenciados pelo PPI mais alto do que o esperado e pela pressão sobre ações de tecnologia.
O PPI de janeiro subiu 2,9% na comparação anual, acima da expectativa de 2,6%, e trouxe à tona receios de que a inflação no atacado continue elevada.
Os futuros dos índices americanos operaram em queda, e durante o dia o Dow Jones chegou a ceder mais de 1 ponto percentual, enquanto o S&P 500 e a Nasdaq também recuavam, ampliando o ambiente de cautela.
Setores e notícias corporativas que mexeram com o mercado
Entre as notícias corporativas, o Bradesco anunciou a criação da Bradsaúde, reunindo ativos como Odontoprev, Atlântica Hospitais e Bradesco Saúde, movimento que reclassificou papéis relacionados.
Resultados trimestrais de empresas como B3 e Localiza também tiveram influência nas atenções, com a B3 reportando lucro recorrente de R$1,46 bilhão no 4T25, segundo o Itaú BBA.
No câmbio e nas commodities, o petróleo seguiu em alta por expectativas sobre negociações relativas ao Irã, enquanto no mercado doméstico a ANP informou queda de 3,3% nas vendas de diesel B em janeiro, e alta de 2% nas vendas de gasolina C, dados que compõem o cenário setorial.
Em síntese, o dia mostrou como uma surpresa de inflação local, combinada com números de inflação no exterior e o nervosismo com tecnologia, pode pressionar o Ibovespa, elevar juros futuros e manter o dólar volátil, fatores que investidores monitoram de perto nas próximas sessões.