Aguarde, Carregando
Pular para o conteúdo

IPCA-15 sobe 0,84% em fevereiro, pressiona serviços e educação, acende alerta para núcleos de inflação, mas corte de juro em março ainda é esperado pelo mercado

IPCA-15 registra alta de 0,84% em fevereiro, com passagens aéreas e educação em destaque, e gera cautela sobre os núcleos de inflação, embora mercado não descarte corte em março

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15, IPCA-15, subiu 0,84% em fevereiro, um avanço que surpreendeu pelo tamanho, mesmo considerando a sazonalidade do mês.

A reação do mercado foi imediata, com juros futuros subindo e analistas destacando maior pressão nos núcleos de inflação, sobretudo em serviços, mas as casas financeiras mantêm a expectativa de início do ciclo de cortes na Selic em março.

Os números e as análises foram divulgados pelo IBGE e comentados por economistas e instituições financeiras, conforme informação divulgada pelo IBGE e análises de economistas e instituições financeiras.

O que veio por trás da surpresa do IPCA-15

O resultado ficou muito acima do consenso da Bloomberg, que projetava 0,56%, e também acima das estimativas médias do mercado, em torno de 0,60%.

Os destaques do mês foram o grupo de Transportes, afetado pelo salto nas passagens aéreas, e o grupo de Educação, pelo reajuste de matrículas escolares. Juntos, Transportes e Educação responderam por 80% da inflação observada em fevereiro.

As passagens aéreas avançaram 11,64% na comparação mensal, e os cursos regulares subiram 6,18%, dois dos principais vetores do desvio em relação às expectativas do mercado.

Como os analistas interpretam o resultado

Para a XP, a leitura do IPCA-15 mostra que, apesar da piora na margem, houve recuo nos indicadores de serviços no acumulado, o que aponta para a efetividade da restrição da política monetária.

Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, alertou sobre a necessidade de cautela, e afirmou, “O desvio em relação às expectativas e a maior pressão dos núcleos de inflação merecem atenção, mas a leitura corrente tem peso limitado para a condução da política monetária“. Ele também disse que as próximas decisões “dependem sobretudo da trajetória projetada para o horizonte relevante de 18 meses à frente“.

Gustavo Gonzaga, da Necton Investimentos, disse que, “do ponto de vista qualitativo, as medidas mais relevantes para a política monetária contrariaram nossa expectativa de normalização após a virada do ano e se mostraram mais pressionadas mesmo à luz da sazonalidade adversa“.

Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, afirmou que “o resultado acende um sinal de alerta em relação à perspectiva de melhora estrutural da inflação ao longo do ano“.

Impacto nas decisões do Copom e nas expectativas de juros

A leitura mais pressionada do IPCA-15 traz implicações para a condução dos juros pelo Comitê de Política Monetária, Copom. Embora o acumulado em 12 meses tenha recuado de 4,50% até janeiro para 4,10% nos 12 meses anteriores a fevereiro,

para Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, o dado atual é um “sinal de alerta importante“. Ele afirmou, “A inflação de serviços e os núcleos seguem pressionados, o que reduz o espaço para um início mais agressivo do ciclo de cortes“. A reação do mercado fez os juros futuros subirem cerca de 15 pontos.

Apesar do maior ruído, a XP mantém a projeção de redução da taxa Selic em 50 pontos-base na reunião de março, para 14,50%, acreditando que a tendência desinflacionária de preços de industrializados e alimentos permanece.

O Goldman Sachs avaliou que há uma “dinâmica inflacionária ainda desafiadora“, citando inflação de serviços em 6,1% ao ano, expectativas de inflação de curto e médio prazo sem ancoragem, hiato do produto positivo e mercado de trabalho restrito, o que “exige uma calibragem conservadora da política monetária“. Ainda assim, o banco não descarta o corte em março e afirma que “A política monetária restritiva está operando conforme o esperado (crescimento moderado, crédito desacelerando, expectativas de inflação caindo lentamente, valorização do real), criando espaço para o início de um ciclo de normalização das taxas de juros, provavelmente na reunião de março“.

O que esperar adiante

Para o mercado, a chave agora é observar a persistência das pressões em serviços e a evolução dos itens sazonais e voláteis, como passagens aéreas e higiene pessoal.

A XP Macro projeta o IPCA acumulado em 2026 em 3,8%, mesma projeção do Bradesco, que entende que a surpresa atual foi disseminada em itens voláteis e não altera a tendência principal de desaceleração rumo à meta.

Em resumo, o IPCA-15 de fevereiro elevou a cautela sobre os núcleos e ao Copom, mas não derrubou a expectativa predominante no mercado de que o ciclo de cortes de juros deve começar em março, ainda que de forma mais prudente e possivelmente menos agressiva do que se esperava antes do número.