Declaração do Imposto de Renda 2026: Tecnologia e IA Facilitam o Envio, Mas Cautela é Fundamental
A Receita Federal registrou um aumento significativo na agilidade da entrega das declarações do Imposto de Renda em 2026. Mais de 95% dos documentos previstos foram transmitidos até o último dia do prazo, um avanço notável em comparação com os 90,3% registrados no ano anterior. Essa aceleração é amplamente atribuída à popularização da declaração pré-preenchida e ao uso crescente de inteligência artificial (IA) como ferramenta de auxílio.
Contadores parceiros do InfoMoney relatam que a declaração pré-preenchida, que já vem com informações fornecidas por outras fontes à Receita, se tornou a modalidade majoritária. Em 2026, 60% dos contribuintes optaram por ela, um salto em relação aos 50,3% do ano passado. A IA, por sua vez, surge como uma assistente virtual para tirar dúvidas pontuais e orientar o preenchimento, especialmente para declarações mais simples.
No entanto, especialistas alertam que, apesar das facilidades tecnológicas, a **atenção humana e a análise criteriosa** continuam sendo indispensáveis. A coerência entre rendimentos, patrimônio e despesas é um ponto sensível que pode levar à malha fina, e essa avaliação complexa ainda demanda o julgamento de um profissional. As informações foram divulgadas pelo InfoMoney.
Declaração Pré-Preenchida: Otimizando o Tempo do Contribuinte
A declaração pré-preenchida, que carrega automaticamente dados já existentes na base da Receita Federal, tem se consolidado como a principal aliada dos contribuintes. Essa funcionalidade simplifica o processo, reduzindo o tempo gasto na inserção manual de informações. A tendência é que seu uso continue crescendo, facilitando a vida de quem busca agilidade na prestação de contas.
Inteligência Artificial: Uma Aliada Pontual, Não Substituta
O uso da inteligência artificial como ferramenta de apoio para a declaração do Imposto de Renda parece ter crescido em 2026. Segundo a contadora Camilla Oliveira, houve uma mudança perceptível na demanda por esse tipo de auxílio. A IA pode ser útil para esclarecer dúvidas sobre regras específicas, como a dedução de despesas médicas ou a inclusão de dependentes, além de agilizar o preenchimento de campos.
Contudo, Richard Domingos, CEO da Confirp Contabilidade, ressalta que a IA não deve ser vista como uma substituta para o profissional contábil, especialmente em casos de declarações mais complexas. Ele observa que a demanda por seus serviços, focados em declarações de empresários com bens e operações internacionais, permaneceu alta, indicando a necessidade contínua de expertise humana.
Riscos e a Essencialidade do Olhar Humano
João Yanase, professor da Trevisan Escola de Negócios, alerta para os perigos de confiar cegamente em tecnologias como a IA para a declaração. Ele destaca que a **coerência entre rendimentos, evolução patrimonial e despesas** é crucial, e que desequilíbrios podem levar o contribuinte diretamente para a malha fina. Gastos significativos, como os de cartão de crédito ou compra de moeda estrangeira, já são monitorados pela Receita, e a omissão dessas informações representa um risco.
Charles Gularte, da Contabilizei, reforça a importância da conferência dos dados, mesmo com o uso de soluções tecnológicas. Ele enfatiza que a **responsabilidade final pela declaração é sempre do contribuinte**, e que o papel consultivo do contador permanece essencial para a validação e segurança das informações. Além disso, Gularte aponta para os riscos de segurança de dados em plataformas de IA, que podem lidar com informações sensíveis como CPF e bens, exigindo cuidado na escolha das ferramentas.