JBS Surpreende com Receita Recorde, Mas Enfrenta Prejuízo no 2º Trimestre de 2026
A JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, divulgou seu balanço financeiro referente ao segundo trimestre de 2026, apresentando um cenário misto. A companhia registrou uma **receita líquida recorde de US$ 23,9 bilhões**, um aumento expressivo de 14% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
No entanto, o resultado operacional não acompanhou o desempenho das vendas, e a JBS reverteu o lucro obtido no ano passado, fechando o trimestre com um **prejuízo líquido de US$ 102 milhões**. Este montante ficou abaixo das projeções de analistas, que esperavam um lucro de US$ 379 milhões, segundo dados da LSEG.
Apesar do revés financeiro, a empresa destaca a força de seu portfólio diversificado e a gestão eficiente. Conforme informação divulgada pela JBS, a receita recorde reflete a solidez de suas operações entre diferentes geografias, proteínas e marcas, demonstrando resiliência em um mercado global desafiador.
EBITDA Ajustado Mostra Resiliência em Meio a Desafios
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) ajustado da JBS atingiu **US$ 1,257 bilhão** no segundo trimestre. A companhia atribui a melhora sequencial da rentabilidade em muitas de suas unidades de negócio à execução focada e à eficiência operacional, mesmo diante das dificuldades enfrentadas pela indústria de carne bovina nos Estados Unidos.
Gilberto Tomazoni, CEO Global da JBS, ressaltou o desempenho: “Voltamos a registrar receita recorde, refletindo a força de nosso portfólio diversificado entre geografias, proteínas e marcas. Apesar das diferentes condições de mercado ao redor do mundo, nossas equipes operacionais mantiveram o foco em execução, eficiência e alocação disciplinada de capital”.
Estrutura Financeira Robusta e Fluxo de Caixa Positivo
A JBS reforçou que sua estrutura financeira permanece robusta. A alavancagem líquida encerrou o trimestre em 3,10 vezes, com um prazo médio da dívida superior a 15 anos e um custo médio anual de 5,7%. Guilherme Cavalcanti, CFO Global da JBS, comentou: “Temos uma estrutura de capital sólida e liquidez adequada para atravessar os diferentes ciclos de nossas operações. O foco permanece na maximização do retorno dos investimentos já realizados”.
O fluxo de caixa livre apresentou um resultado positivo de **US$ 130 milhões**, uma melhoria de US$ 185 milhões em relação ao mesmo período de 2025. Esse avanço foi impulsionado por iniciativas de gestão de capital de giro, como o desconto de recebíveis e adiantamentos de clientes ligados a exportações brasileiras.
Desempenho por Unidades de Negócio: Luzes e Sombras
A plataforma operacional diversificada da JBS ajudou a compensar a pressão no segmento de carne bovina na América do Norte. A **JBS Beef North America** alcançou receita líquida recorde de US$ 7,8 bilhões, mas registrou um EBITDA ajustado negativo de US$ 100 milhões, embora com melhora em relação ao ano anterior.
A **Pilgrim’s Pride**, unidade de aves, apresentou receita líquida de US$ 4,6 bilhões e EBITDA ajustado de US$ 360 milhões, com margem de 7,8%, impulsionada pela demanda firme por carne de frango nos EUA, Europa e México.
No Brasil, a **JBS Brasil** também bateu recorde de receita líquida, atingindo US$ 4,6 bilhões, com EBITDA ajustado de US$ 273 milhões. O desempenho foi sustentado pelas exportações, apesar do aumento no preço médio do gado.
A **Seara** registrou receita líquida de US$ 2,5 bilhões, com EBITDA ajustado de US$ 315 milhões e margem de 12,3%, beneficiada pelo crescimento de volumes e eficiência operacional.
Outras operações, como a **JBS USA Pork** e a **JBS Austrália**, também demonstraram crescimento em receita e EBITDA, refletindo a força do portfólio global da companhia.

