Tesouro IPCA+ de prazo longo vê taxas reais em queda, com papel 2050 a 6,81%, menor nível desde dezembro pré-‘Flávio Day’, enquanto câmbio mais firme e déficit em recuo aliviam prêmios
Os títulos públicos ligados ao IPCA registraram queda nas taxas na manhã desta quarta-feira, com destaque para o segmento mais longo da curva.
O movimento ocorre em conjunto com um real mais forte e entrada de recursos estrangeiros na Bolsa, fatores que reduzem o prêmio de risco e comprimem os juros reais.
Os dados e entrevistas que embasam esta reportagem foram reunidos em fontes públicas, conforme informação divulgada pelo g1
Por que os juros longos caíram
O recuo do juro real longo reflete uma combinação de fatores externos e domésticos. A valorização do real, apoiada por fluxo de capitais para ações brasileiras, alivia pressões sobre o câmbio e reduz a vulnerabilidade financeira do país.
Na avaliação de especialistas, a melhoria nas contas externas também pesa. Sobre esse ponto, Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, afirmou, “É um sinal macroeconômico relevante, pois reduz a vulnerabilidade externa e a dependência de financiamento estrangeiro, o que tende a melhorar a percepção de risco Brasil e aliviar pressões estruturais sobre o câmbio”.
Ele acrescentou, “Esse movimento fortalece a leitura de maior equilíbrio nas contas externas”, observando, no entanto, que o ajuste ocorre em um contexto de desaceleração da atividade, com menor dinamismo de consumo e investimento.
Como ficaram as taxas e os prazos
O destaque foi o Tesouro IPCA+ 2050, negociado a 6,81%, nível mais baixo do ano e o menor desde dezembro, antes do estresse associado ao anúncio de Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência.
No fechamento da curva real, o IPCA+ 2040 recuou para 7,01%, o IPCA+ 2045 para 7,02%, e o longo disponível, o IPCA+ 2060, caiu para 6,98%. No trecho intermediário, o IPCA+ 2032 foi negociado a 7,45%.
Também houve queda nos prefixados, com o Tesouro Prefixado 2029 a 12,57%, o 2032 a 13,21%, e o prefixado com juros semestrais 2037 negociado a 13,46%. As observações consideram os níveis verificados às 9h34 desta quarta-feira (25).
Câmbio, política e ambiente externo
O dólar operou mais fraco, renovando mínima em quase dois anos, cotado a cerca de R$ 5,13, o que ajuda a aliviar a percepção de risco e contribui para a compressão dos prêmios na curva de juros.
O cenário político complicou e também ajudou no movimento, com nova rodada da pesquisa AtlasIntel mostrando empate técnico entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em simulação de segundo turno, fato que segue sendo acompanhado por investidores.
No exterior, os futuros do S&P operavam em leve alta, com mercado atento às tarifas de Washington, ao discurso anual do presidente americano ao Congresso e ao balanço da Nvidia após o fechamento, fatores que influenciam apetite global por risco.
Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, resumiu a dinâmica cambial e de juros, observando, “é reflexo da política econômica de Trump, que faz com que a moeda norte-americana perca importância relativa enquanto reserva de valor, em favor do ouro e moedas como o euro”. Ele afirmou também, “Com a valorização do real, a curva de juros tem movimento de alívio, reagindo também à melhora das projeções para o IPCA no Boletim Focus”.
O que acompanhar nos próximos dias
Investidores devem monitorar a manutenção do fluxo estrangeiro para a Bolsa, a evolução do déficit em transações correntes e novas pesquisas eleitorais, pois esses elementos têm impacto direto na curva de juros.
Também vale observar indicadores de atividade e as expectativas para o IPCA, já que uma combinação de câmbio firme e inflação sob controle tende a sustentar a queda do juro longo do Tesouro IPCA+ e reduzir os custos de financiamento no longo prazo.