Lula inicia campanha com força aliada e estrutura, mas duas crises de última hora pairam no horizonte
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será oficialmente lançado como candidato à reeleição neste domingo (2), durante a convenção nacional do partido em São Paulo. Aos 80 anos, o petista busca um quarto mandato, com a possibilidade de ampliar seu próprio recorde como o presidente mais velho eleito e empossado na história do Brasil.
A convenção acontecerá no Expocenter Norte, na zona norte da capital paulista, reunindo ministros e dirigentes do PT. Apesar da oficialização, o grande ato de lançamento da campanha eleitoral está marcado para 16 de agosto, em São Bernardo do Campo, indicando um perfil mais interno para a convenção deste domingo, voltado à militância e aos delegados do partido.
Apesar da oficialização da candidatura, a campanha reserva o grande ato de lançamento para 16 de agosto, em São Bernardo do Campo. A coordenação avalia que a convenção terá um perfil mais interno, voltado à militância e aos delegados do PT. Conforme informações divulgadas, Lula chega à disputa com a chapa definida, a máquina eleitoral montada e alianças praticamente consolidadas.
Chapa e alianças: A força da coligação petista
Lula iniciará a corrida eleitoral com a chapa fechada. O PSB confirmou Geraldo Alckmin como vice, repetindo a parceria de 2022. PDT e PCdoB já formalizaram apoio, enquanto PV, Psol e Rede devem concluir o processo de aliança na próxima semana. Essa união tende a garantir ao presidente o maior tempo de propaganda eleitoral gratuita, embora o cálculo definitivo dependa das alianças que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conseguir firmar.
O cálculo oficial do tempo de propaganda será divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após o registro das candidaturas. A estratégia do PT foca em ampliar a percepção de favoritismo, impulsionada pela recuperação da aprovação do governo nas últimas pesquisas, e em preservar a ampla coalizão construída desde 2022, concentrando a campanha na comparação entre o governo Lula e a oposição.
Crises inesperadas abalam o início da campanha
A convenção do PT ocorre em um momento delicado, com duas frentes de desgaste político. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a abertura de um inquérito para investigar Luís Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, por suspeitas relacionadas ao caso do INSS. Paralelamente, a Polícia Federal enviou ao STF um relatório com novas informações sobre negociações envolvendo um apartamento ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao empresário Daniel Vorcaro, investigado na Operação Compliance Zero.
Embora os episódios não atinjam diretamente a candidatura de Lula, eles alteram o ambiente político inicial da campanha. A estratégia do PT é focar o debate em temas de governo e na recuperação da popularidade do presidente, evitando que esses casos dominem o noticiário. No entanto, há expectativas de que as crises sirvam de munição para a campanha de Flávio Bolsonaro, buscando uma nova narrativa contra o petista.
Recursos e a ambição da vitória no primeiro turno
O PT destinou R$ 127 milhões do fundo eleitoral para a campanha presidencial de Lula, o que representa 20,64% dos cerca de R$ 615 milhões que o partido receberá. Em valores corrigidos pela inflação, a campanha presidencial terá mais recursos do que em 2022, quando Lula recebeu R$ 66,7 milhões. Proporcionalmente, contudo, a participação da disputa presidencial no fundo do partido diminuiu.
Essa mudança reflete uma estratégia de distribuir mais recursos para candidaturas ao Congresso e aos governos estaduais. Nas últimas semanas, Lula tem defendido abertamente a possibilidade de vencer a eleição no primeiro turno, uma mudança de tom em relação ao início do ano. O discurso acompanha a melhora na avaliação do governo, com pesquisas recentes mostrando aprovação em patamares próximos à desaprovação.
O cenário econômico e o eleitorado definem o futuro
Apesar do ambiente mais favorável, aliados reconhecem que a campanha dependerá da evolução da economia, do comportamento do eleitorado independente e da capacidade da oposição de ampliar sua base de alianças. Esses fatores serão cruciais para definir se a vantagem inicial de Lula será suficiente para sustentar a narrativa de uma vitória sem a necessidade de um segundo turno.

