Mercado imobiliário registrou recordes em lançamentos e vendas em 2025, movimento foi sustentado pelo Minha Casa Minha Vida e pela demanda aquecida, apesar de juros elevados
Mercado imobiliário brasileiro encerrou 2025 com números históricos em lançamentos e vendas de imóveis residenciais verticais, mesmo em um cenário de crédito mais caro.
Os resultados mostram reação das incorporadoras à demanda, com forte presença do programa Minha Casa Minha Vida, e indicam perspectiva de continuidade positiva para 2026.
Os dados constam nos Indicadores Imobiliários Nacionais do 4º trimestre de 2025, divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção, conforme informação divulgada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Lançamentos e vendas bateram recordes
Ao longo de 2025 foram lançadas 453.005 unidades residenciais, alta de 10,6% em relação a 2024, e o valor geral lançado (VGL) somou R$ 292,3 bilhões. Os empreendimentos verticais residenciais monitorados pela pesquisa alcançaram 221 cidades no país.
No 4º trimestre de 2025 foram comercializadas 109 mil unidades residenciais, o maior volume já observado para um trimestre. No acumulado do ano, as vendas somaram 426.260 unidades, alta de 5,4% em relação a 2024, outro recorde anual.
Em termos de valor, o setor movimentou R$ 67 bilhões em vendas apenas no 4º trimestre e, no ano, o VGV chegou a R$ 264,2 bilhões, crescimento de 3,5% frente a 2024. Para Celso Petrucci, conselheiro da CBIC e economista-chefe do Secovi-SP, “Apesar da taxa de juros, 2025 foi um ano de recordes. O incorporador seguiu sentindo a demanda aquecida e seguiu lançando”, afirmou Petrucci.
Estoque e tempo de escoamento
A oferta final de imóveis residenciais verticais disponível ao fim do 4º trimestre de 2025 foi de 347.013 unidades, alta de 7,2% em relação ao mesmo período de 2024, o maior nível desde o 4º trimestre de 2023.
Apesar da elevação do estoque, o tempo de escoamento da oferta ficou em 9,8 meses no 4º trimestre de 2025, patamar que, segundo Fábio Tadeu Araújo, diretor-sócio da Brain Inteligência Estratégica, “É um escoamento rápido, de menos de um ano. Durante o pico da época dos distratos, em 2016 e 2017, esse indicador era de quase 30 meses, aquilo sim era uma crise”, disse Araújo.
O tempo de escoamento atual é o maior desde o 4º trimestre de 2024, quando o indicador estava em 9 meses. No 2º trimestre de 2025 o índice chegou a cair para 8,3 meses, mostrando variação ao longo do ano, mas ainda ritmo saudável de vendas.
Minha Casa Minha Vida e distribuição regional
O Minha Casa Minha Vida (MCMV) teve papel central em 2025. Os lançamentos dentro do programa cresceram 13,9% em relação a 2024 e as vendas avançaram 15,1% no mesmo período.
No ano foram lançadas 228.842 unidades verticais no âmbito do MCMV, alta de 13,5% na comparação anual, e vendidas 196.876 unidades, incremento de 15,9%. Ao fim de 2025, o programa encerrou o ano com recorde de 69.168 unidades lançadas no 4º trimestre.
A participação do MCMV é mais relevante nas regiões Norte e Nordeste, onde o programa responde por 69% e 50% do setor, respectivamente, e o escoamento da oferta no MCMV é ainda mais rápido que a média, em 7,9 meses. O preço médio das unidades do programa ficou em R$ 202,5 mil.
Preços, inflação e perspectivas para 2026
Os dados também mostram forte valorização dos imóveis residenciais, com o IGMI-R apresentando variação bastante superior à inflação. Como destacou Petrucci, “FGV e Abecip capturam o IGMI-R, que mostra uma variação acumulada de 18,6% nos últimos 12 meses, muito descolada do IPCA, de 4,26%, e do INCC, de 5,9%. Desde 2024 a gente percebe um descolamento da variação imobiliária. A aquisição do imóvel continua sendo vantajosa e a valorização real do imóvel tem sido bastante alta”.
A CBIC avalia que a demanda potencial segue elevada, sustentada pelo recorde de intenção de compra e pelo papel do MCMV. Para 2026 o setor trabalha com cenário mais favorável, com expectativa de queda adicional da taxa Selic e melhora das condições de crédito imobiliário.
Entre os vetores apontados estão a meta do governo de contratar 3 milhões de unidades pelo MCMV até o fim do ano, a garantia de orçamento do FGTS e expansão do funding via SBPE e mercado de capitais, com crescimento projetado de 16% pela Abecip, fatores que podem sustentar e até ampliar o bom desempenho do mercado imobiliário em 2026.