Setor hoteleiro retomou mais rápido que o esperado, pressionando diárias e ocupação, e fortalecendo a tese para FIIs do setor hoteleiro, com impacto em RevPAR
A recuperação da hotelaria brasileira acelerou muito além das previsões, com vários destinos atingindo níveis superiores aos de 2019 já em 2025, impulsionando receitas e interesse de investidores.
Diogo Canteras, sócio-diretor da HotelInvest e gestor do FII HTMX11, destaca que a retomada surpreendeu positivamente desde 2023, com diárias médias e taxas de ocupação se aproximando dos patamares pré-pandemia.
Dados e declarações sobre a evolução do setor foram compilados e divulgados em reportagem especializada, conforme informação divulgada pelo InfoMoney.
Recuperação mais rápida e o indicador RevPAR
RevPAR (receita por quarto disponível) é um dos principais indicadores da hotelaria, Ele combina diária média e taxa de ocupação, mostrando quanto cada quarto disponível gera de receita, esteja ele ocupado ou não.
Segundo Canteras, “A pandemia foi uma tragédia para a hotelaria. Todo mundo perdeu muito dinheiro e a gente não esperava que a recuperação fosse tão rápida”, frase que resume a surpresa do setor com a velocidade da retomada.
Em 2023 diárias médias e ocupação já se aproximavam de 2019, e em 2025 diversos destinos, como o Rio de Janeiro, operaram acima dos patamares históricos, com o gestor afirmando que “O Rio teve um dos melhores anos da sua série histórica em 2025”.
Oferta estagnada sustenta alta de preços e receita
Parte da recuperação se explica pela dinâmica entre oferta e demanda, com a oferta de quartos praticamente estagnada no país, enquanto a demanda cresce junto com o PIB, ainda que de forma moderada.
Canteras observa que o alto custo de desenvolvimento e juros elevados inibiram novos projetos, mantendo o estoque de quartos sob controle, e que essa combinação tende a pressionar diárias médias e ocupação para cima.
Ele resume o efeito ao dizer que “Se o PIB estivesse crescendo 3% ou 4%, seria incrível. A recuperação seria muito mais rápida. Mas ela continua acontecendo.”, frase que explica porque a expansão de rentabilidade tem sido contínua, mesmo que gradual.
Lazer, luxo e diferenças entre mercados
Gestores destacam distinções importantes entre hotelaria urbana e de lazer, com feriados longos prejudicando o segmento corporativo, enquanto destinos turísticos se beneficiam do fluxo de lazer.
José Paim, fundador da Rossi Residencial, reforça que “Na hotelaria de lazer, nosso concorrente é o mundo”, apontando que a elevação dos preços da hotelaria de luxo no exterior cria oportunidade para o Brasil captar parte desse público.
Paim cita a Serra Gaúcha como exemplo de destino em ascensão entre o público de alta renda, indicando que regiões com apelo internacional podem sustentar anos positivos à frente, mesmo com crescimento econômico modesto.
O que isso significa para investidores em FIIs
Para fundos imobiliários com exposição ao setor, a combinação de oferta estagnada e demanda crescente tende a ampliar a geração de caixa dos ativos, fortalecendo a tese de investimento em FIIs do setor hoteleiro.
Investidores devem monitorar indicadores como RevPAR, diárias médias e taxa de ocupação, além da dinâmica regional entre destinos urbanos e de lazer, para avaliar risco e potencial de valorização.
A entrevista completa com gestores, incluindo detalhes sobre estratégias e visão para 2026, foi divulgada em programa especializado, conforme informação divulgada pelo InfoMoney.