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Novo Gama: 33 escolas do Entorno funcionam sem Cercon e sem vistoria do Corpo de Bombeiros, Justiça determina prazos para regularizar segurança contra incêndio

Novo Gama enfrenta urgência na segurança das escolas, 33 unidades com pendências de conformidade contra incêndio e prazos judiciais para adequação, segundo MPGO

Em Novo Gama, no Entorno do Distrito Federal, autoridades cobram ações imediatas para reduzir riscos às crianças em salas de aula.

O Ministério Público de Goiás acionou a Justiça depois de uma década sem solução administrativa, e a decisão exige que a prefeitura regularize 33 unidades escolares.

As informações foram compiladas a partir de apuração publicada pelo Metrópoles e documentos do Ministério Público de Goiás, conforme informação divulgada pelo Metrópoles e pelo Ministério Público de Goiás (MPGO).

Situação atual e decisão judicial

O MPGO acompanha o caso desde 2015 e, após 10 anos sem solução, recorreu à Justiça em setembro de 2025. No processo, a promotoria apontou que 31 escolas funcionavam sem o Certificado de Conformidade, Cercon, emitido pelo Corpo de Bombeiros Militar de Goiás, CBMGO.

O levantamento dos bombeiros citado no processo identificou pendências em 33 unidades, em um município que tem 35 escolas municipais ao todo. A Justiça determinou que a prefeitura regularize essas 33 unidades.

A decisão se tornou definitiva em 16 de setembro deste ano, e prevê que seis escolas sejam adequadas em até 60 dias, e outras 27 tenham prazo de 18 meses. A prefeitura também deve informar à Justiça, a cada três meses, o andamento dos trabalhos.

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Segundo o MPGO, até a última atualização da reportagem, nenhum relatório havia sido apresentado no processo.

O que dizem promotores e autoridades

O promotor Yuri Rezende de Macedo, titular da 4ª Promotoria de Justiça de Novo Gama, justificou a ação judicial por falhas na via administrativa.

Ele afirmou, na peça do processo, “O procedimento administrativo tramitava há 10 anos e não houve solução da questão. Sendo assim, não pode o Ministério Público aguardar eternamente a solução extrajudicial de um problema que se arrasta há uma década”.

O CBMGO informou que o Cercon é o documento que atesta a conformidade das instalações, e que o levantamento técnico apontou pendências que precisam ser corrigidas antes da emissão do certificado.

Relatos de pais e condições das escolas

A reportagem percorreu o município e ouviu familiares de alunos, que relatam preocupação com a falta de saídas alternativas e manutenção das estruturas.

A mãe Letícia Lima descreveu o estado da Escola Municipal Paulo Freire, e disse, “Me sinto insegura, a escola só tem uma saída, que é pelo portão principal. O portão é muito velho e está quase solto. Não tem saída de emergência, é tudo muito fechado. O prédio é antigo e não passa por uma reforma há anos”.

Outros pais notaram melhorias em algumas unidades, com obras e sistemas de controle de acesso, mas ressaltaram que isso não substitui a regularização técnica contra incêndio.

Daniele Gonçalves avaliou mudanças em duas escolas e relatou, “Antes, as salas tinham portas e janelas quebradas e ventiladores estragados. Agora, os ventiladores foram trocados, as portas e janelas estão em boas condições e a escola está toda pintada. Também foi instalado o acesso por reconhecimento facial na catraca, e recebemos notificações no celular quando os alunos entram e saem. Para mim, já melhorou bastante”.

Prefeitura, projetos e recomendações dos bombeiros

A Prefeitura de Novo Gama informou que 14 unidades têm projetos de segurança contra incêndio elaborados, e que parte desses projetos já foi enviada ao Corpo de Bombeiros de Goiás para análise, enquanto os demais aguardam protocolo.

A administração municipal explicou que as obras só podem começar após aprovação dos projetos e que a execução dependerá da contratação de empresas especializadas, além da vistoria dos bombeiros para liberação do Cercon.

Em nota, a prefeitura disse, “A ausência do Cercon, por si só, não significa risco iminente, pois a avaliação depende das condições de cada prédio e de análise técnica. As unidades seguem em processo de adequação às normas de segurança contra incêndio e pânico”.

O major Cláudio Silva da Silveira, da corporação goiana, ressaltou que, mesmo após a emissão do certificado, é necessária manutenção contínua dos equipamentos.

Ele afirmou, “A segurança não depende apenas da emissão do certificado. A escola precisa manter os sistemas e equipamentos de segurança em condições adequadas de funcionamento, realizando as manutenções periódicas necessárias para garantir sua eficácia em situações de emergência”.

O major também destacou a importância de treinamentos e simulados, para que alunos, professores e funcionários conheçam rotas de fuga, pontos de encontro e procedimentos de evacuação.

Consequências e próximos passos

Com a decisão judicial, a prefeitura tem prazos definidos para apresentação de projetos, execução das obras e obtenção do Cercon, e o MPGO seguirá cobrando relatórios periódicos da administração.

Especialistas consultados apontam que a regularização técnica precisa ser acompanhada de manutenção, treinamentos e planos de evacuação claros, para que a segurança contra incêndio nas escolas seja efetiva e contínua.

Para pais e comunidade escolar, a expectativa é que as medidas ordenadas pela Justiça se traduzam em melhorias concretas e duradouras na proteção das crianças e profissionais que frequentam as unidades.

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