OCDE Alerta: Guerra Prolongada no Oriente Médio Pode Causar Recessão Global e Inflação Alta

OCDE: Conflito no Oriente Médio Ameaça Crescimento Global e Inflação

As perspectivas econômicas globais estão sob forte influência da duração do conflito no Oriente Médio. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) alertou que uma guerra prolongada pode levar à recessão em diversos países e a um aumento acentuado da inflação, caso o cenário se estenda até o próximo ano.

Um conflito de curta duração permitiria uma recuperação gradual do fornecimento de petróleo e gás do Golfo Pérsico, com impactos mais localizados na Ásia e mitigados por reservas estratégicas. No entanto, o cenário mais pessimista desenha um quadro de dificuldades significativas para a economia mundial.

As projeções da OCDE indicam que, se as interrupções no fornecimento de energia persistirem, o crescimento global pode desacelerar drasticamente, atingindo níveis raramente vistos fora de grandes crises. A organização também ressalta o impacto direto no poder de compra dos cidadãos, com salários reais em queda em diversas economias.

Cenário de Interrupção Prolongada: Recessão e Inflação em Alta

Caso a interrupção no fornecimento de energia se prolongue até 2026, a OCDE estima que o crescimento global possa cair para 2,1% em 2026 e 1,8% em 2027. Estas taxas são comparáveis às observadas durante a crise financeira de 2008-2009 e a pandemia de Covid-19. Algumas economias, especialmente as asiáticas dependentes de energia do Oriente Médio, podem enfrentar recessão total.

O aumento nos preços da energia, nesse cenário, adicionaria 0,4 ponto percentual à inflação global em 2026 e 1,3 ponto percentual em 2027. Essa pressão inflacionária pode levar os bancos centrais a aumentar as taxas de juros em 0,5 a 0,75 ponto percentual no curto prazo, dificultando ainda mais a recuperação econômica.

Impacto nos Salários e no Comércio Global

Mathias Cormann, secretário-geral da OCDE, destacou que cerca de um terço das economias membros da organização deverão registrar crescimento negativo dos salários reais este ano. “Os trabalhadores desses países verão seus padrões de vida caírem, o que é a realidade humana por trás dos números da inflação”, afirmou Cormann.

O crescimento do comércio global também deve desacelerar após um 2025 forte. No entanto, a demanda robusta por bens e investimentos relacionados à inteligência artificial (IA), especialmente na Ásia, deve oferecer algum suporte, segundo a OCDE.

Perspectivas Regionais Desiguais

As perspectivas econômicas variam significativamente entre as regiões. Nos Estados Unidos, o crescimento deve diminuir de 2,1% em 2025 para 2,0% em 2026 e 1,8% em 2027, com exportações de energia mais fortes compensando parcialmente o impacto dos preços elevados no poder de compra das famílias.

Na Europa, a zona do euro deve ver seu crescimento desacelerar de 1,4% para 0,8% este ano, antes de uma leve recuperação para 1,2% em 2026. Mercados de trabalho resilientes e aumento dos gastos com defesa são fatores que podem ajudar a mitigar os efeitos das políticas de austeridade governamental.

Na Ásia, a China deve apresentar um crescimento de 5,0% em 2025, caindo para 4,5% em 2026 e 4,3% em 2027. Reservas de energia consideráveis limitam a exposição a picos nos preços do petróleo. As exportações chinesas podem se beneficiar de tarifas mais baixas dos EUA e de um setor tecnológico competitivo, embora a crise no mercado imobiliário continue sendo um desafio.

Brasil e Inflação Global

Para o Brasil, a OCDE projetou um crescimento de 1,6% este ano e de 2,1% em 2027, com as exportações sendo o principal motor em 2026, impulsionadas pelo forte setor de commodities e pela demanda chinesa. A inflação no Brasil deve desacelerar gradualmente, atingindo 4,4% em 2026 e 3,6% em 2027, apesar das incertezas externas.

No cenário base, a OCDE previu que a inflação nas economias do G20 atingirá um pico de 4% este ano, desacelerando para 3,1% no próximo ano, com as taxas de juros permanecendo em grande parte estáveis em 2025 e com cortes previstos para 2026. No entanto, novos aumentos nos preços de energia e fertilizantes podem prejudicar o crescimento e pressionar a inflação global, conforme alerta da organização.

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