PF Investiga Repasses e Destino de Milhões para Filme de Bolsonaro, com Foco em Eduardo nos EUA
O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, deu luz verde para a abertura de um inquérito na Polícia Federal (PF) com o objetivo de investigar os repasses financeiros realizados por Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme “Dark Horse”. Este longa-metragem, que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, tornou-se o centro de uma investigação após o vazamento de mensagens trocadas entre Flávio Bolsonaro e o próprio Vorcaro.
As conversas revelaram negociações de um financiamento substancial para o filme, levantando suspeitas sobre a origem e o destino dos recursos. A investigação se intensifica com a possibilidade de que parte do dinheiro tenha sido desviada para financiar a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde o início de 2025.
A Procuradoria-Geral da República já havia manifestado apoio à investigação, após ser consultada pelo ministro Mendonça sobre a pertinência do tema. A notícia-crime apresentada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) também aponta para a necessidade de esclarecer o trânsito e a alocação dos fundos, bem como a eventual destinação ilícita de parte dos valores.
O Que a PF Busca Esclarecer no “Dark Horse”
A Polícia Federal concentrará seus esforços em entender o exato fluxo e a alocação dos repasses feitos por Daniel Vorcaro para o financiamento do filme “Dark Horse”. O objetivo é verificar se os valores foram efetivamente utilizados na produção cinematográfica ou se houve desvio para outros fins, como o suposto financiamento da permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Mensagens apreendidas com o ex-banqueiro indicam que ele teria negociado cerca de R$ 134 milhões com Flávio Bolsonaro e que já teria repassado R$ 61 milhões para investimentos no filme. A PF agora busca rastrear para onde esses recursos foram direcionados e confirmar se foram empregados na produção do longa.
Eduardo Bolsonaro na Gestão Financeira do Filme
Um contrato obtido pelo portal The Intercept Brasil revela que Eduardo Bolsonaro figura formalmente como um dos responsáveis pela gestão financeira do filme “Dark Horse”. O documento, datado de janeiro de 2024, designa Eduardo e o deputado federal Mario Frias (PL-SP) como produtores-executivos, ao lado da empresa americana GoUp Entertainment, que também é alvo de investigações.
Essa ligação reforça a linha investigativa que aponta para a possibilidade de que parte dos recursos do filme pudesse estar sendo utilizada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro em solo americano. Ele próprio negou o recebimento de dinheiro ligado à produção, alegando que seu status migratório não permitiria tal prática sem punição do governo dos EUA.
Investigação Paralela sobre Emendas Parlamentares
Em paralelo à investigação sobre os repasses de Daniel Vorcaro, a PF também apura o uso irregular de verbas públicas provenientes de emendas parlamentares na produção do filme “Dark Horse”. Este inquérito, autorizado pelo ministro Flávio Dino, já está em fase de diligências, indicando que a produção cinematográfica enfrenta escrutínio em múltiplas frentes.
A investigação busca determinar a origem de todos os recursos empregados no filme e se houve qualquer tipo de irregularidade na sua aplicação, seja por meio de financiamentos privados ou de verbas públicas. O caso promete desdobramentos importantes sobre a transparência e a legalidade no financiamento de produções cinematográficas.

