Pentágono lança plano bilionário para reduzir dependência da China em minerais essenciais, com Brasil em destaque.
Um grupo de ex-profissionais de Wall Street, operando sob o codinome “Deal Team Six”, está na linha de frente de uma ousada iniciativa do Pentágono. O objetivo principal é **romper o monopólio da China** na produção de elementos de terras raras e ímãs, componentes cruciais para uma vasta gama de tecnologias, desde eletrônicos de consumo até armamentos avançados.
A urgência do projeto reside na experiência recente, quando a China retaliou tarifas americanas restringindo o fornecimento desses minerais. A ação forçou o governo dos EUA a recuar em suas políticas comerciais, evidenciando a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos americana. A meta é evitar que tal cenário se repita, garantindo a **segurança nacional e a autonomia tecnológica**.
O plano envolve o uso de ferramentas financeiras criativas, como participações acionárias, pisos de preços de longo prazo, compromissos de compra e empréstimos, totalizando bilhões de dólares. Essa abordagem agressiva representa uma mudança significativa na estratégia americana, que antes se concentrava em restrições de exportação e bloqueios comerciais contra a China. A informação foi divulgada pela Bloomberg.
A corrida contra o tempo para diversificar a produção
A produção de elementos de terras raras e ímãs pela China levou décadas para se consolidar, e os Estados Unidos buscam replicar esse feito em tempo recorde. Mesmo as projeções mais otimistas indicam que a produção americana só deverá atingir níveis significativos até o final da década. O grupo do Pentágono, oficialmente a Unidade de Defesa Econômica (EDU), opera em um “nível de alerta máximo”, segundo Rush Doshi, ex-diretor para a China no Conselho de Segurança Nacional.
A EDU não se limita a minerais. A estratégia também visa fortalecer a produção de outros materiais críticos, como cabos de submarinos e produtos químicos essenciais para a fabricação de medicamentos. A iniciativa, que remonta às primeiras semanas do segundo mandato de Trump, está sob a supervisão de Stephen Feinberg, Subsecretário de Defesa e ex-executivo de private equity.
Brasil se torna peça central na estratégia americana
Um dos acordos notáveis já fechados envolve a mineradora brasileira de terras raras Serra Verde, que foi adquirida pela americana USA Rare Earth em uma transação de US$ 2,8 bilhões. Essa movimentação demonstra a importância estratégica de países como o Brasil na busca dos EUA por **fontes alternativas e independentes** de terras raras, longe da influência chinesa.
Além disso, o Pentágono firmou um acordo histórico com a MP Materials Corp., única produtora de terras raras nos EUA. O pacto inclui um investimento de US$ 400 milhões, posicionando o governo como o maior acionista da empresa. O Pentágono também garantiu a compra de todos os ímãs produzidos em uma nova instalação por clientes da área de defesa e comercial pelos próximos dez anos.
Críticas e desafios na execução do plano
Apesar do ímpeto, a estratégia do Pentágono não está isenta de críticas. Representantes do setor alertam que a pressa em fechar acordos pode levar ao financiamento de empresas sem histórico comprovado e à negligência de potenciais conflitos de interesse. Há quem aponte metas irrealistas e um incentivo para que as empresas exagerem suas capacidades em busca de financiamento.
O senador Roger Wicker expressou preocupação com a falta de leis claras para regular o aumento repentino de negócios com participação acionária e pediu maior coordenação com o Congresso. O Pentágono, por sua vez, nega as acusações, afirmando que mantém “estrita imparcialidade” e prioriza soluções que beneficiem o combatente, com um rigoroso processo de avaliação para todos os parceiros.
O futuro da produção de minerais críticos e a disputa global
Apesar das controvérsias, a iniciativa do Pentágono reflete a crescente importância dos elementos de terras raras. Embora utilizados em pequenas quantidades, esses minerais são essenciais para uma produção de valor agregado estimada em US$ 1,2 trilhão, de acordo com a Bloomberg Economics. O governo dos EUA almeja suprir metade da demanda mundial por ímãs até 2030, um objetivo ambicioso diante do domínio atual da China, que produziu 94% dos ímãs de terras raras em 2024.
A Unidade de Defesa Econômica (EDU) dispõe de US$ 200 bilhões em capacidade de financiamento para os próximos três anos. A iniciativa busca fortalecer a base industrial americana em geral, não apenas para atender às necessidades de defesa, mas também para impulsionar a economia. A disputa pelo controle dos minerais críticos é um componente central da **competição geopolítica e tecnológica** entre os Estados Unidos e a China.