Geração Z: A batalha por um emprego em um mercado de trabalho implacável
A Geração Z, composta por jovens nascidos entre meados da década de 1990 e o início dos anos 2010, tem sido frequentemente criticada por suas expectativas em relação ao trabalho, como a resistência a jornadas semanais tradicionais ou a dificuldade em conseguir um emprego. No entanto, novas pesquisas apontam que essas queixas podem ter fundamento, revelando um mercado de trabalho substancialmente mais desafiador para eles.
Estudos indicam que os jovens de hoje enfrentam obstáculos significativamente maiores para ingressar no mercado de trabalho em comparação com seus pais e avós. A promessa de que um diploma universitário abriria portas para empregos estáveis parece ter se desfeito para muitos.
A realidade é que a busca por uma oportunidade profissional se tornou uma tarefa árdua, que exige criatividade e resiliência. A seguir, exploraremos os dados que confirmam essa tendência e as estratégias que a Geração Z está adotando para superar esses desafios.
Graduados da Geração Z lutam para conseguir o primeiro emprego
Um relatório da Kickresume, divulgado em maio, revelou que impressionantes 58% dos estudantes que se formaram entre 2024 e 2025 ainda estavam à procura do primeiro emprego. Em contraste, apenas 25% dos graduados de anos anteriores, incluindo as gerações Y e X, enfrentaram dificuldades semelhantes para encontrar trabalho após a faculdade.
Essa disparidade é ainda mais acentuada quando analisamos a rapidez com que os jovens conseguem um emprego. Quase 40% dos graduados de gerações anteriores garantiram um emprego em tempo integral antes mesmo da cerimônia de formatura. Para a Geração Z de 2024/2025, esse número cai drasticamente para apenas 12%, tornando-os três vezes menos propensos a ter uma vaga garantida logo após a graduação.
Os pesquisadores do estudo destacam que a transição da sala de aula para a carreira nunca foi fácil, mas é evidente que os graduados de hoje estão entrando em um mercado de trabalho mais incerto, digital e exigente do que nunca.
Inteligência Artificial e concorrência elevam o nível da disputa por vagas
A Geração Z que busca emprego atualmente se depara com o avanço da inteligência artificial e um mercado cada vez mais competitivo para profissionais de escritório. Essa realidade tem levado muitos a buscar caminhos não convencionais para impulsionar suas carreiras, como a venda de donuts ou o trabalho como garçom.
O cenário atual contribui para que 4 milhões de jovens da Geração Z se tornem NEETs (nem estudando, nem trabalhando, nem em treinamento). A complexidade do processo de contratação é evidente, com empregadores submetendo candidatos a testes inusitados e questionários de personalidade antes mesmo de considerá-los para uma vaga.
Cerca de 20% dos candidatos a emprego procuram trabalho há pelo menos 10 a 12 meses, e 40% dos desempregados relataram não ter conseguido uma única entrevista em 2024. A busca por emprego se tornou uma ocupação em tempo integral para muitos, com alguns enviando até 1.700 currículos sem sucesso.
Automação e custos de educação criam um ciclo vicioso para jovens profissionais
Parte do problema pode ser atribuída à tecnologia, que está reduzindo o número de vagas de nível inicial para a Geração Z. Com chatbots e agentes de IA assumindo tarefas rotineiras, as empresas necessitam de menos funcionários juniores.
O aumento das mensalidades universitárias, aliado a um mercado de trabalho desanimador para recém-formados, agrava a situação. Milhões de jovens se encontram na condição de NEETs, um problema que se estende globalmente, com um aumento significativo no Reino Unido, por exemplo. A antiga garantia de que um diploma universitário levaria a um emprego de tempo integral foi quebrada.
Lewis Maleh, CEO da agência de recrutamento Bentley Lewis, comentou à revista Fortune que, embora as universidades não preparem os alunos para o fracasso, o sistema não está cumprindo sua promessa implícita de garantir oportunidades.
Estratégias criativas para se destacar em um mercado saturado
Diante desse cenário, os pesquisadores da Kickresume aconselham os jovens a ingressarem no mercado de trabalho o mais rápido possível, em vez de esperar pelo emprego ideal. Eles enfatizam que o primeiro emprego é apenas um ponto de partida.
Para se destacar, a Geração Z tem recorrido a táticas inovadoras. Lukas Yla, um aspirante a profissional de marketing, disfarçou-se de entregador para levar caixas de donuts com seu currículo e um bilhete criativo. Essa abordagem lhe rendeu cerca de 10 entrevistas.
Outro exemplo é Basant Shenouda, que, após seis meses sem sucesso, começou a trabalhar como garçonete em uma conferência de marketing. Durante seus intervalos, ela distribuía seu currículo, buscando feedback e, eventualmente, conquistou uma vaga no LinkedIn. Ela destaca a importância da resiliência e da constante reavaliação do processo de busca por emprego, transformando cada “não” em um passo mais próximo do “sim”.