Poluição do ar de Manaus atingiu níveis críticos com PM2,5 em pico de 235 µg/m³, 9,4 vezes acima da referência da OMS, em meio à intensificação das queimadas na Amazônia
A qualidade do ar em Manaus piorou de forma aguda entre os dias 8 e 10 de outubro, com concentrações de material particulado fino muito acima do recomendado para a saúde.
O problema está ligado ao aumento das queimadas na região, que eleva a fumaça e o transporte de poluentes para a capital amazonense, afetando a população urbana e territórios próximos.
Os dados e alertas constam em nota técnica do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz e da Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, conforme nota técnica do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz e da Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde.
Pico de poluição e medições
A estação de monitoramento da qualidade do ar FioAres, da Fundação Oswaldo Cruz, registrou um pico às 23h de 8 de outubro, quando a concentração de material particulado fino (PM2,5) chegou a 235 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
O valor é 9,4 vezes superior aos 25 µg/m³ utilizados como referência pela Organização Mundial da Saúde, segundo a medição da Fiocruz.
Nos dias 8 e 9 de outubro, a estação registrou concentrações próximas de 200 µg/m³, e no dia 10, níveis em torno de 100 µg/m³, indicando um episódio prolongado de poluição.
O que é PM2,5 e quais os riscos
O material particulado fino, conhecido como PM 2,5, é formado por partículas sólidas e gotículas líquidas suspensas no ar com diâmetro de até 2,5 micrômetros, cerca de 28 vezes menor que a espessura média de um fio de cabelo humano.
Por causa do tamanho reduzido, essas partículas conseguem penetrar profundamente nos pulmões, alcançando os alvéolos pulmonares, podendo chegar ainda à circulação sanguínea.
Estudos científicos associam a exposição ao PM2,5 ao aumento do risco de doenças respiratórias e cardiovasculares, incluindo agravamento da asma, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.
Impacto sobre povos indígenas e focos de incêndio
Entre 1º e 10 de outubro de 2026, foram registrados 1.380 focos de incêndio no Amazonas, dos quais 116 foram identificados em terras indígenas, o equivalente a 8,4% das ocorrências, segundo dados atribuídos ao Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, Censipam.
A nota técnica da Fiocruz e da Secretaria de Saúde Indígena alerta para os riscos à saúde dessas comunidades, citando 11 polos-base de saúde indígena vinculados ao Distrito Sanitário Especial Indígena Manaus que demandam atenção diante das condições observadas.
Pesquisadores destacam que a exposição à fumaça pode agravar vulnerabilidades já existentes, como desigualdades socioambientais, dificuldades de deslocamento e barreiras de acesso a serviços de saúde especializados.
Clima, previsão e próximos riscos
A possibilidade de fortalecimento do El Niño em 2026 e 2027 aumenta a preocupação, porque o fenômeno pode alterar precipitação, temperatura e umidade na Amazônia, favorecendo períodos de estiagem, segundo atualização divulgada em 8 de outubro pelo Centro de Previsão Climática da NOAA.
As condições climáticas, combinadas com atividades humanas, podem elevar o risco de novos incêndios florestais e episódios de piora da qualidade do ar.
Autoridades de saúde e pesquisadores recomendam monitoramento contínuo da poluição do ar de Manaus, comunicação de risco à população e atenção especial às comunidades mais vulneráveis enquanto durar o episódio de queimadas e fumaça.