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Queda de pretos e pardos na CLDF com 9 dos 24 eleitos expõe desigualdade frente ao Censo 2022 e mantém bancada majoritariamente branca

A nova composição da Câmara Legislativa do Distrito Federal, com apenas nove parlamentares que se declaram pretos ou pardos, revela uma perda de representação da população negra eleita pelos brasilienses.

A bancada da CLDF se mantém majoritariamente branca, enquanto a presença de mulheres e de deputadas negras segue baixa, apesar de pequenas variações em relação a 2022.

Os dados e porcentagens citados a seguir constam em levantamento do Metrópoles com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme informação divulgada pelo Metrópoles.

Queda na representação negra, números oficiais

Pouco mais de um terço (37,5%) dos deputados distritais eleitos no último domingo (4/10) se declaram pretos ou pardos.

O número representa 9 dos 24 parlamentares que ocuparão a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) na próxima legislatura, entre 2027 e 2030.

O levantamento representa uma queda em relação às eleições de 2022, quando 11 distritais negros (pretos e pardos) foram escolhidos pelos eleitores brasilienses.

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Composição por cor, partidos e distribuição

Segundo os dados, deputados brancos serão maioria na bancada da CLDF, com 15 nomes (62,5% dos parlamentares). Em 2022, o número era levemente menor, com 14 eleitos.

O número de parlamentares autodeclarados pretos continua sendo três (12,5%), enquanto o número de pardos caiu de oito para seis (25%). Nenhum deputado se autodeclarou indígena ou de cor ou raça amarela.

Entre os deputados pretos e pardos, o PT e o PSol lideram com 2 cadeiras cada, seguido por, PL, PP, MDB, Republicanos e PSD com 1 cada. A distribuição mostra concentração em poucos partidos, e variações pequenas entre as legendas.

Gênero e representatividade

O número de mulheres eleitas saltou de 19 para 20 em relação à última eleição e consequentemente o número de homens caiu de 20 para 19. As parlamentares femininas porém representam apenas 20,8% da bancada da CLDF.

A única deputada declarada negra, Doutora Jane (Republicanos) não foi reeleita e a CLDF seguirá tendo apenas uma mulher declarada negra, dessa vez será Keka Bagno (PSol). Isso mantém a sub-representação de mulheres negras na Casa.

Contexto mais amplo e próximos passos

O fato de apenas 37,5% deputados negros serem eleitos mostram um cenário desigual em relação ao Censo 2022, que mostra que 59,4% da população brasiliense se autodeclarou preta ou parda. A diferença evidencia a distância entre composição social e representação política.

O número de representantes da população negra na CLDF, porém, é superior ao registrado em todo Brasil, que dominou 317 das 1.035 cadeiras (30,6%) das assembleias legislativas estaduais. Incluindo os distritais no levantamento nacional, o número salta para 31,4%.

Em relação aos homens brancos, o número subiu de 8 para 11 e os pardos e pretos caíram de 10 para 8. Pela segunda eleição consecutiva, o deputado distrital mais votado foi um candidato declarado pardo, com Max Maciel (Psol) totalizando 92.234 votos.

No próximo ano, pela primeira vez na história, a posse dos deputados distritais acontecerá em 6 de janeiro de 2027 após uma mudança na lei, nos outros anos a posse acontecia sempre no dia 1º. Os trabalhos na Casa começam a partir de 1º de fevereiro de 2027, após o fim do recesso legislativo, que acaba em 31 de janeiro de 2027.

Os números vêm do levantamento do Metrópoles com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e colocam em destaque o debate sobre políticas de inclusão, diversidade partidária e mecanismos para ampliar a representação da população preta e parda na política do Distrito Federal.

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