Aguarde, Carregando
Pular para o conteúdo

Seguro catástrofe nacional, Susep e CNseg defendem modelo após enchentes em Juiz de Fora e alerta no litoral de São Paulo, perdas de R$ 184 bilhões e baixa cobertura

Após chuvas com mortos e desaparecidos em Juiz de Fora e alerta vermelho no litoral de São Paulo, entidades pressionam por um seguro catástrofe nacional mais amplo

As chuvas que atingiram Juiz de Fora deixaram ao menos 30 mortos e 39 desaparecidos, mais de 3 mil pessoas estão desabrigadas, e escolas foram transformadas em abrigos.

Enquanto Minas Gerais contabiliza perdas humanas e materiais, quase todo o país enfrenta risco elevado de temporais, e a Defesa Civil de São Paulo renovou o alerta vermelho para o litoral até sexta-feira (27), com possibilidade de alagamentos e deslizamentos.

O cenário reacende a discussão sobre a necessidade de estruturar um seguro catástrofe nacional, com participação de mercado e políticas públicas conjuntas, conforme informação divulgada pelo InfoMoney.

Por que o país precisa de um seguro catástrofe

O número de eventos climáticos no país tem aumentado de forma expressiva, trazendo perdas que recaem em grande parte sobre famílias, empresas e orçamentos públicos.

Segundo a CNseg, “Entre 2015 e 2019, o país registrava em média 2.500 eventos climáticos por ano. De 2020 a 2024, o número subiu para cerca de 4.500 ocorrências anuais, segundo o estudo ‘Radar de Eventos Climáticos e Seguros do Brasil’, elaborado pela CNseg”.

O levantamento da CNseg aponta que “desastres naturais provocaram prejuízos estimados em R$ 184 bilhões entre 2022 e 2024”. Apesar disso, apenas cerca de 9% das perdas econômicas estavam cobertas por seguro, índice que subiu para 13% em 2024, ainda baixo frente a padrões internacionais.

No caso das chuvas no Rio Grande do Sul em 2024, a reconstrução foi estimada em R$ 89 bilhões, enquanto as indenizações do mercado segurador ficaram em torno de R$ 6 bilhões, evidenciando uma lacuna securitária que pressiona o setor público.

O que dizem Susep e CNseg sobre o modelo

A Susep colocou o tema como prioridade no Plano de Regulação 2026, com a agenda de estruturar produtos mais robustos e fortalecer a resiliência financeira do país.

A autarquia afirma que “eventos climáticos extremos têm ocorrido com maior frequência e impacto econômico, exigindo novas respostas de política pública e de mercado” e defende que o debate inclua formas de compartilhamento de riscos e incentivos à ampliação da cobertura.

A CNseg destaca que o Brasil vive “uma combinação preocupante” de eventos climáticos mais frequentes e intensos, somada a um nível ainda baixo de proteção securitária, e aponta experiências internacionais de arranjos específicos para cobertura de catástrofes como referência.

Como poderia funcionar e quais pontos precisam ser definidos

Especialistas e entidades apontam a necessidade de um sistema que combine mercado segurador, resseguro e mecanismos públicos de apoio, para dividir riscos e reduzir o peso do gasto emergencial sobre o erário.

A discussão envolve, entre outros pontos, critérios de elegibilidade para acionamento do seguro, subsídios ou incentivos para ampliar adesão, limites e sublimites de cobertura, e mecanismos de retrocessão para proteger o mercado segurador.

O que o consumidor deve checar hoje em apólices residenciais e empresariais

Em apólices tradicionais, coberturas básicas costumam incluir incêndio, queda de raio e explosão, e eventos como enchentes, alagamentos, vendavais e deslizamentos geralmente dependem de contratação adicional e podem ter limites e franquias específicas.

As entidades orientam verificar com atenção quais riscos estão cobertos e quais estão excluídos, e avaliar a necessidade de coberturas específicas para riscos climáticos e, no caso de empresas, proteção para lucros cessantes.

De maneira prática, atente para:

  • Quais eventos são efetivamente cobertos, como alagamento, inundação, vendaval, desmoronamento e danos elétricos;
  • Necessidade de contratar coberturas adicionais para riscos climáticos;
  • Limites de indenização e sublimites para cada tipo de dano;
  • Franquias aplicáveis e carências;
  • Exclusões contratuais que possam restringir a cobertura, e para empresas, cobertura para lucros cessantes.

Com eventos climáticos mais frequentes, a recomendação de Susep e CNseg é avançar na construção de um seguro catástrofe nacional que combine mercado e política pública, para ampliar proteção, reduzir perdas financeiras e fortalecer a capacidade de resposta do país.