Seguro mais caro ou barato? Quem mora com você pode definir o preço do seu seguro, nova análise de dados revela

Mudança no Jogo: O Impacto do seu Lar no Preço do Seguro

O cálculo do preço do seguro está passando por uma revolução. O tradicional foco no CPF do segurado está dando lugar a uma análise mais abrangente, que considera quem vive na mesma casa. Essa nova abordagem busca entender o risco de forma mais completa, indo além do comportamento individual.

O uso de dados no mercado segurador brasileiro está em expansão. As empresas agora exploram modelos que levam em conta não só o perfil do cliente, mas também as características das pessoas que compartilham o mesmo domicílio. Isso significa que seu círculo social e familiar pode influenciar diretamente o custo da sua apólice.

Essa tendência, conhecida como conceito de household, visa identificar conexões entre moradores de um mesmo endereço para aprimorar os modelos de análise de risco. A informação é da Serasa Experian, que aponta que cerca de 30% dos clientes analisados possuíam vínculos domiciliares não considerados anteriormente. Conforme Ricardo Thomaziello, diretor de analytics de crédito e plataformas da Serasa Experian, “Muitas vezes você não faz um cliente de melhor risco ser tão bom nem o de pior risco ser tão ruim quando analisa o household”.

O Conceito de Household e a Análise de Risco

O conceito de household, ou análise familiar/domiciliar, representa um avanço significativo na forma como as seguradoras avaliam o risco. Ao invés de se concentrar unicamente nos dados individuais do segurado, as empresas começam a mapear o contexto em que ele vive. Isso inclui entender o perfil de risco de todos os residentes de uma mesma casa.

Segundo Thomaziello, essa combinação de dados financeiros, transacionais e domiciliares é uma oportunidade ainda pouco explorada. “É entender quem mora na mesma residência do cliente. Qual é o risco individual, não somente dele, mas quem está com ele?”, questiona o especialista. Essa análise mais profunda pode levar a uma precificação mais justa e precisa, evitando que bons pagadores sejam penalizados por riscos associados a outros moradores.

Dados Estratégicos para Novas Oportunidades

A evolução na análise de risco reflete uma mudança mais ampla no mercado segurador. Os dados deixaram de ser meras ferramentas de análise para se tornarem infraestruturas estratégicas, conforme ressalta Luís Henrique Fontes, CTO da MAG Seguros. Essa visão permite o desenvolvimento de novos produtos e serviços mais alinhados às necessidades reais dos consumidores.

A capacidade de conectar informações que antes permaneciam isoladas em diferentes setores da economia é crucial para essa evolução. O desafio atual não é apenas gerar dados, mas fazê-los conversar entre si. “Como correlacionar esses dados de diferentes fontes? Como garantir interoperabilidade entre essas diferentes indústrias?”, indaga João Merlin, diretor de automóvel da Zurich Seguros, destacando que o mercado ainda está nos estágios iniciais dessa integração.

Benefícios para Seguradoras e Consumidores

A utilização de dados mais amplos e interconectados promete trazer benefícios mútuos. Para as seguradoras, modelos de análise mais sofisticados podem resultar em uma precificação mais assertiva e na ampliação da aceitação de clientes. Isso significa que o risco é melhor compreendido, permitindo ofertas mais competitivas.

Para os consumidores, a expectativa é de produtos de seguro mais aderentes à sua realidade e, potencialmente, com preços mais acessíveis. A análise detalhada do núcleo familiar e domiciliar permite que as seguradoras ofereçam apólices que refletem com maior precisão o perfil de risco de cada indivíduo e de seu ambiente. Thomaziello reforça que “Esses dados transacionais ainda são muito pouco explorados nessa conexão entre informação financeira, quem é a pessoa e o que ela está fazendo”, indicando um vasto campo para o setor de seguros avançar nos próximos anos.

O Futuro da Precificação de Seguros

A integração de dados de diferentes fontes e a análise do contexto domiciliar marcam o futuro da precificação de seguros. Essa abordagem, que vai além do CPF individual, visa criar um cenário onde o risco é avaliado de forma mais holística e precisa. A tendência é que, cada vez mais, quem mora com você possa ter um papel na definição do preço do seu seguro.

O mercado segurador brasileiro está em um momento de transformação, impulsionado pela tecnologia e pelo uso inteligente de dados. A análise de household é apenas um exemplo de como a inovação está moldando o setor para oferecer soluções mais personalizadas e eficientes para todos os envolvidos.

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