Setor manufatureiro dos EUA registra PMI de 52,4 em fevereiro, enquanto a medida de preços pagos sobe para 70,5, o nível mais alto em quase 3,5 anos
O setor manufatureiro dos EUA manteve expansão em fevereiro, mas sinais de pressão de custos acendem alerta para a inflação.
O Índice de Gerentes de Compras, PMI, mostrou estabilidade, enquanto os preços dos insumos avançaram fortemente, afetando margens e decisões de compras das fábricas.
Esses dados foram divulgados pelo Instituto de Gestão de Fornecimento, conforme informação divulgada pela Reuters.
Detalhes do PMI e da atividade fabril
Conforme os números do ISM, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) de manufatura atingiu 52,4 em fevereiro, em comparação com 52,6 em janeiro, mantendo-se acima do nível 50, o que indica expansão da atividade. Economistas consultados pela Reuters projetavam queda para 51,8, portanto o resultado mostra leve resiliência do setor.
O subíndice de novos pedidos caiu para 55,8 em fevereiro, após subir para 57,1 em janeiro, que tinha sido o nível mais alto desde fevereiro de 2022. Ao mesmo tempo, os pedidos em atraso aumentaram e as exportações se mantiveram estáveis, sinalizando demanda que enfrenta restrições logísticas.
O desempenho das entregas dos fornecedores piorou, pois o índice de entregas subiu de 54,4 para 55,1, um valor acima de 50 que indica entregas mais lentas e eventual pressão por estoques adicionais.
Pressão nos preços dos insumos e risco inflacionário
Um elemento chave do relatório foi a escalada dos custos, com a medida de preços pagos pelas fábricas subindo para 70,5, o nível mais alto desde outubro de 2022, ante 59,0 em janeiro. Esse salto mostra que os fabricantes estão enfrentando aumentos significativos nos insumos.
O ISM também apontou que parte da atividade de compras foi feita “para antecipar os aumentos de preços esperados devido às questões tarifárias em curso”, o que evidencia que empresas acumulam estoques para mitigar efeitos de tarifas, elevando a demanda por insumos no curto prazo.
Além das tarifas, a situação no Oriente Médio pressionou preços de energia, já que ataques e retaliações afetaram produção e transporte de petróleo e gás, contribuindo para a alta de custos industriais.
Contexto de tarifas e mão de obra
As tarifas impostas pela administração de Donald Trump foram citadas como fator limitador da manufatura, que representa cerca de 10,1% da economia dos EUA. A Suprema Corte dos EUA derrubou tarifas aplicadas sob uma lei de emergência, e a administração então implementou uma taxa global de 10% por 150 dias para substituir parte das tarifas, anunciando depois aumento para 15%, segundo o relatório.
No mercado de trabalho das fábricas, o emprego continuou moderado, com a medida de emprego do setor manufatureiro subindo de 48,1 em janeiro para 48,8 em fevereiro, indicando que muitos fabricantes ainda recorrem a demissões e a não preencher vagas para ajustar custos.
Impactos e perspectivas para empresas e inflação
Com entregas mais lentas e insumos mais caros, fabricantes podem repassar custos ao consumidor, elevando pressões inflacionárias em cadeia, principalmente se os preços de energia continuarem voláteis devido aos conflitos no Oriente Médio.
Para o curto prazo, a combinação de compras antecipadas por tarifas, estoques sendo repostos após a temporada de festas, e a alta da medida de preços pagos, sugere que o setor manufatureiro dos EUA seguirá em expansão moderada, porém com risco maior de pressão inflacionária.
Analistas e empresas devem acompanhar indicadores de custos, o comportamento dos índices de novos pedidos e o cenário geopolítico, que pode amplificar oscilações nos preços do petróleo e nas cadeias de suprimentos.