Strategy: A “Impressora” de Bitcoin Que Captou US$ 25 Bilhões e Revolucionou o Mercado Cripto
O Bitcoin (BTC) experimentou uma ascensão meteórica, impulsionado em parte por um player corporativo incomum: a Strategy (BDR: M2ST34). A empresa americana se consolidou como a maior compradora corporativa de Bitcoin do mundo entre companhias abertas, detendo mais de 818 mil unidades da criptomoeda. Mas o que torna essa história ainda mais fascinante é o método de aquisição: a Strategy não utiliza recursos próprios, mas sim um modelo financeiro inovador de captação no mercado de capitais.
Essa estratégia, apelidada de “impressora de dinheiro para comprar BTC”, permite à Strategy acumular Bitcoin em larga escala. A empresa transformou seu foco em 2020, quando o presidente executivo Michael Saylor decidiu apostar no Bitcoin como principal ativo de reserva, uma decisão que, na época, parecia radical, mas que tem se mostrado lucrativa.
A Strategy não nasceu no universo cripto. Por décadas, atuou discretamente no setor de software de análise de dados. A virada estratégica de Saylor posicionou a empresa como um gigante na acumulação de Bitcoin, com projeções ambiciosas para o futuro da criptomoeda. Conforme informações divulgadas pela fonte, Saylor acredita que o Bitcoin pode atingir US$ 20 milhões por moeda, emergindo como o principal capital digital global.
A Lógica da “Impressora”: Como a Strategy Financia Suas Compras de Bitcoin
O modelo de negócios da Strategy, focado em software, não gera caixa suficiente para sustentar suas ambiciosas compras de Bitcoin. Por isso, a empresa recorre ao mercado de capitais através de três mecanismos principais. O primeiro é a venda contínua de ações ordinárias (MSTR) no mercado americano, utilizando o mecanismo ATM (at-the-market), que funciona como uma “torneira” para captação flexível e gradual.
O segundo método envolve a emissão de ações preferenciais, instrumentos que oferecem um rendimento fixo aos investidores e se assemelham mais a títulos de renda fixa. A terceira via são as notas conversíveis, que permitem aos investidores emprestar dinheiro à empresa com a opção de converter a dívida em ações futuramente. Todo o capital arrecadado por esses meios é, sem exceção, direcionado para a compra de Bitcoin.
Em 2025, a Strategy captou impressionantes US$ 25,3 bilhões, resultando na aquisição de mais de 225.000 Bitcoins. Essa performance a consolidou como a maior emissora de ações entre as companhias abertas americanas pelo segundo ano consecutivo. O plano atual prevê a emissão de US$ 42 bilhões entre 2025 e 2027, divididos igualmente entre ações e instrumentos de crédito.
Por Que Comprar Ações da Strategy é Diferente de Comprar Bitcoin Diretamente
Investir nas ações ordinárias da Strategy não é o mesmo que possuir Bitcoin diretamente. Conforme explica Alexandre Vasarhelyi, sócio e gestor da B2V Crypto, “o ETF é um proxy do Bitcoin. A Strategy é uma empresa”. Ao adquirir ações da Strategy, o investidor não está apenas apostando na valorização do Bitcoin, mas também no modelo de negócio da empresa, sua capacidade de captação e os riscos inerentes à sua estrutura financeira.
Essa diferença é refletida no mNAV (múltiplo sobre o valor dos ativos). Se o mNAV está em 1,2, significa que o mercado paga R$ 1,20 pela ação para ter exposição a R$ 1,00 em Bitcoin. No pico de otimismo em 2024, esse prêmio chegou a 2,8 vezes, mas atualmente se encontra próximo de 1,2, indicando uma menor valorização da ação em relação ao valor dos Bitcoins detidos.
STC: O Instrumento Inovador Que Protege o Investidor da Volatilidade do Bitcoin
Um dos instrumentos mais notáveis criados pela Strategy são as ações preferenciais, especialmente a STRC, apelidada de “Stretch”. Diferente das ações ordinárias, a STRC oferece um rendimento variável ajustado mensalmente para manter seu preço próximo a US$ 100, atuando como um mecanismo de estabilização. Essa característica a torna um ativo de alta renda com baixíssima volatilidade, contrastando acentuadamente com a volatilidade do Bitcoin.
Segundo Michael Saylor, “a volatilidade da STRC nos últimos 30 dias é de 2%. A do Bitcoin no mesmo período é de 55%”. Isso significa que a STRC se tornou um dos ativos menos voláteis do S&P 500, absorvendo a turbulência do mercado de criptomoedas, enquanto a ação ordinária MSTR carrega esse risco. A proposta de Saylor é clara: oferecer uma alternativa de investimento com rendimento superior à inflação, comparando-a a uma conta bancária com um retorno atraente.
O rendimento da STRC é financiado pela emissão contínua de ações ordinárias MSTR. A Strategy vende um pouco de MSTR diariamente, acumula dólares em reserva e utiliza esses fundos para pagar os rendimentos mensais dos instrumentos preferenciais. Esse modelo financeiro, segundo Saylor, “fecha a conta” enquanto o Bitcoin apresentar valorização anual esperada de cerca de 30%, permitindo a distribuição de rendimentos de 10% a 11%.
Riscos e Concentração: O Futuro da Estratégia da Strategy
Apesar do sucesso, o modelo da Strategy enfrenta riscos significativos. Markus Thielen, analista da 10X Research, aponta que a durabilidade da estratégia depende inteiramente da capacidade da empresa de continuar captando capital. Um dado preocupante é que a Strategy foi responsável por 70% de todo o dinheiro novo que entrou no Bitcoin em 2026. A admissão de Saylor sobre a possibilidade de vender Bitcoin para pagar dividendos levanta questões sobre a sustentabilidade a longo prazo.
Outro ponto de atenção é o prêmio da ação ordinária (mNAV), que está próximo de 1,2. Nesse patamar, a emissão de novas ações para comprar Bitcoin deixa de ser vantajosa. O prêmio que impulsionou o mecanismo em 2024 diminuiu consideravelmente e, segundo Thielen, “não vai voltar na mesma escala porque muitos investidores já pagaram por ele e estão sentados sobre grandes perdas”.
Riscos regulatórios, como uma possível proibição governamental de empresas manterem Bitcoin em balanço, e o risco de custódia, como um ataque hacker, também pairam sobre a Strategy. Para o investidor brasileiro, o acesso se dá principalmente através do BDR M2ST34 na B3, embora com menor liquidez. Para as ações preferenciais, como a STRC, é necessário abrir conta em corretoras com acesso à Nasdaq americana, aproveitando a tributação favorável sobre os pagamentos da STRC, classificados como retorno de capital.