O anúncio de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai aumentar a tarifa global de 10% para 15% provocou reação imediata de governos e setores comerciais ao redor do mundo.
Autoridades adotaram uma postura de cautela, ao mesmo tempo em que estudam medidas de retaliação e estratégias para proteger exportadores e cadeias de suprimentos.
As primeiras reações e as opções de contra-medidas estão sendo avaliadas por blocos e países, com reuniões e declarações de ministros e líderes, conforme informação divulgada pelo g1.
União Europeia prepara resposta conjunta e lembra instrumentos legais
A União Europeia convocou uma reunião de emergência para segunda-feira, dia 23, para analisar o impacto das novas tarifas de Trump e o futuro do acordo comercial com os EUA. O porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, afirmou que o bloco busca “clareza sobre os passos” que Washington pretende tomar e defende “estabilidade e previsibilidade” nas relações.
O chanceler alemão, Friedrich Merz, disse que vai coordenar uma resposta conjunta com aliados europeus antes de sua visita a Trump, afirmando, “Teremos um posicionamento muito claro sobre isso, porque a política alfandegária é uma questão da União Europeia, não dos Estados-Membros individualmente”.
O ministro do comércio da França, Nicolas Forissier, destacou que a UE dispõe de instrumentos para responder, citando um mecanismo “anticoerção” para controles de exportação e tarifas sobre serviços de empresas americanas. Ele afirmou, “Não podemos mais ser ingênuos. Temos que usar nossas ferramentas e não apenas falar sobre elas. Não queremos ser dependentes. Não queremos ser reféns”. A UE mantém um pacote suspenso de tarifas retaliatórias sobre mais de US$ 95 bilhões em produtos dos EUA, que pode ser acionado.
Reações na América do Norte e América Latina
No continente, as respostas foram de cautela e análise. O Canadá, isento da nova tarifa por acordo com os EUA, recebeu a decisão da Suprema Corte como um reforço, segundo o ministro Dominic LeBlanc, “reforça a posição do Canadá de que as tarifas impostas pelos EUA são injustificadas”, e disse que seguirá apoiando empresas afetadas por taxas em aço, alumínio e setor automotivo.
No México, a presidente Claudia Sheinbaum afirmou, “Analisaremos cuidadosamente a resolução e teremos prazer em dar nossa opinião”, enquanto o ministro da Economia, Marcelo Ebrard, pediu “prudência”, lembrando que mais de 85% das exportações mexicanas para os EUA não estão sujeitas a tarifas.
O governo britânico declarou que espera manter sua posição comercial privilegiada com os EUA, mas William Bain, da Câmera de Comércio Britânica, alertou que a decisão “pouco contribuiu para esclarecer as águas turvas. Para o Reino Unido, a prioridade continua sendo a redução das tarifas sempre que possível”.
Posição de países asiáticos e impactos regionais
No Pacífico, o Japão disse que manterá os termos do acordo comercial firmado com os EUA no ano passado, e a cúpula prevista entre a primeira-ministra Sanae Takaichi e Trump está mantida, mesmo com a possibilidade de um regime global de tarifas mais alto. O acordo vigente inclui um compromisso de investimento de US$ 550 bilhões em projetos de financiamento para a reindustrialização dos EUA.
A Coreia do Sul comentou que a decisão da Suprema Corte anulou a taxa recíproca de 15% sobre seus produtos, embora tarifas sobre automóveis e aço permaneçam vigentes por meio de outras legislações. Taiwan avaliou que o novo aumento terá um “impacto limitado” em sua economia, e disse que vai monitorar de perto os desdobramentos, mantendo comunicação estreita com Washington, importante para a TSMC e a cadeia global de chips.
A Indonésia, que fechou um acordo comercial com os EUA nesta semana, informou que está acompanhando os últimos desenvolvimentos e avaliando efeitos práticos.
O que vem a seguir e riscos para exportadores
O cenário permanece de alta incerteza, com a UE exigindo esclarecimentos e preparando instrumentos de resposta, e com líderes nacionais estudando impactos setoriais em produtos agrícolas, de luxo, moda e aeronáutica.
Analistas destacam que a combinação de medidas unilaterais e a possibilidade de retaliações coordenadas pode aumentar custos para empresas exportadoras e gerar volatilidade em cadeias globais, enquanto governos buscam alternativas para reduzir dependências.
Nos próximos dias, a reunião da UE, a coordenação entre países europeus e a agenda de visitas e cúpulas com os EUA serão cruciais para definir se as tarifas de Trump permanecerão no novo patamar de 15% ou se haverá ajustes por pressão internacional.