Mercado Financeiro Brasileiro Acompanha Cenário Internacional e Político Doméstico com Queda nas Taxas de DIs
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs), especialmente para prazos mais longos como janeiro de 2028, apresentaram uma queda significativa no fechamento da última segunda-feira. Este movimento foi impulsionado por fatores externos, como o recuo nos rendimentos dos Treasuries americanos e a desvalorização do petróleo no mercado internacional.
Um dos principais catalisadores para essa tendência foi a expectativa de um possível acordo entre os Estados Unidos e o Irã, que poderia aliviar tensões geopolíticas na região do Oriente Médio. Além disso, uma nova pesquisa eleitoral no Brasil, indicando um cenário mais competitivo na corrida presidencial, também contribuiu para a redução das taxas.
A dinâmica do mercado financeiro brasileiro reflete uma complexa interação entre eventos globais e domésticos. A busca por investimentos mais seguros e a antecipação de decisões de política monetária pelo Banco Central moldam as expectativas dos agentes econômicos. Conforme informações divulgadas pela Reuters, os investidores demonstraram otimismo com a possibilidade de desdobramentos positivos nas negociações internacionais e no cenário político brasileiro.
Tensões no Oriente Médio e Queda do Petróleo Reduzem a Aversão ao Risco
No fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou o adiamento de um ataque ao Irã e mencionou a possibilidade de um acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo e gás. Embora o Irã tenha negado estar em negociações diretas, Trump confirmou as conversas, mantendo o mercado em alerta. Essa incerteza, paradoxalmente, levou à queda do petróleo Brent para cerca de US$83 o barril e ao recuo nos rendimentos dos Treasuries, indicando uma diminuição da aversão ao risco globalmente.
Pesquisa Eleitoral Brasileira Sinaliza Disputa Acirrada e Impacta DIs
No cenário doméstico, a divulgação da pesquisa BTG/Nexus adicionou uma camada de complexidade. O levantamento apontou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em empate técnico com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial, com 45% e 46% das intenções de voto, respectivamente, em um eventual segundo turno. Essa pesquisa sugere uma disputa mais apertada do que indicavam outros institutos, o que, segundo profissionais do mercado ouvidos pela Reuters, contribuiu para a baixa das taxas dos DIs em toda a curva.
A proximidade entre os candidatos, especialmente considerando a desconfiança de parte do mercado em relação à política fiscal do governo Lula, gerou um movimento de ajuste nas expectativas. A pesquisa BTG/Nexus mostrou uma evolução para Flávio Bolsonaro, que passou de 43% para 45%, enquanto Lula variou de 47% para 46%.
Expectativa de Corte na Selic Reforça Tendência de Queda nas Taxas
Adicionalmente, os investidores continuam a consolidar suas apostas em um novo corte na taxa básica de juros, a Selic, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A precificação das opções de Copom negociadas na B3 indica uma alta probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual nesta semana. Para setembro, a expectativa também pende para um novo corte de mesma magnitude.
O Boletim Focus, divulgado mais cedo pelo Banco Central, também refletiu essa tendência, com a mediana das projeções para a Selic no fim de 2026 caindo de 14,00% para 13,75%. Os analistas passaram a projetar dois cortes de 0,25 ponto percentual na taxa básica até o final do ano. A projeção de inflação para 2026 foi revisada de 5,12% para 5,03%.
No fechamento da sessão, a taxa do DI para janeiro de 2028 registrou 13,805%, uma baixa de 6 pontos-base em relação ao dia anterior. Na ponta mais longa da curva, o DI para janeiro de 2035 caiu 23 pontos-base, fechando em 14,42%. O rendimento do Treasury de dez anos, referência global, também recuou, caindo 6 pontos-base para 4,688%.

