Entenda por que as terras raras ganham força entre investidores, como o Brasil pode virar fornecedor-chave, e por que a XP recomenda exposição diversificada, como ETFs, frente a riscos e concentração
Terra raras estão no centro do debate sobre segurança de oferta e transição energética, com demanda acelerando por elétricos, renováveis e eletrônicos.
O tema atrai atenção de investidores, devido a propriedades únicas desses elementos e ao domínio chinês na cadeia de valor, o que cria riscos geopolíticos e oportunidades para novos fornecedores.
Na avaliação da equipe de estratégia da XP, há potencial de investimento, mas o caminho exige cautela, diversificação e foco em ETFs para diluir riscos, conforme informação divulgada pela XP Investimentos.
Por que terras raras são estratégicas e quais os desafios
Terras raras formam um grupo de 17 elementos metálicos com propriedades magnéticas, ópticas e catalíticas únicas, essenciais para setores como energia renovável, veículos elétricos e defesa.
Segundo a XP, “Embora não sejam realmente escassos, sua extração e refino são complexos, enquanto suas aplicações são essenciais para setores como energia renovável, veículos elétricos, eletrônicos e defesa”, apontam os especialistas.
O setor enfrenta barreiras de entrada altas, concentração da cadeia de suprimentos e volatilidade de preços, o que aumenta o risco para quem escolher nomes individuais sem diversificação.
Oferta global e posição do Brasil
A XP destaca que “a China domina a cadeia de valor das terras raras, produzindo cerca de 70% do minério global e contando com mais 90% da capacidade de refino, conversão em metal e fabricação de ímãs, apesar de deter apenas cerca de 40% das reservas globais.”
O Brasil, por sua vez, “possui cerca de 20% das reservas mundiais” e ainda é um produtor marginal, mas vem se posicionando como potencial parceiro para diversificação de oferta para EUA e União Europeia.
A publicação também lembra que “Muitas companhias listadas possuem somente um único ativo ou estão em estágio inicial, e as recentes preocupações com segurança de suprimentos já levaram os valuations do setor às máximas históricas.”
Como a XP recomenda que investidores entrem no tema
Diante da concentração e dos riscos, a XP “prefere uma exposição diversificada ao invés da escolha de nomes individuais. ETFs, como o VanEck Rare Earth/Strategic Metals (REMX), permitem que investidores participem da tese de demanda estrutural maior ao mesmo tempo em que diluem os riscos.”
ETFs oferecem acesso mais amplo ao setor, reduzindo o impacto de falhas em projetos isolados ou de empresas com um único ativo em estágio inicial.
Para investidores que optarem por ações, a XP avalia que o universo listado é ainda pequeno e concentrado, com poucas médias e grandes empresas dominando liquidez e valor de mercado.
Riscos ambientais, regulatórios e o papel das mineradoras brasileiras
O tema tem também forte dimensão ESG, já que “A produção gera resíduos radioativos e tóxicos, com impactos ambientais significativos; embora apoie a criação de empregos e tenha papel chave em aplicações médicas, o setor envolve riscos à saúde associados à exposição radioativa e regulamentação robusta aumenta a resiliência do setor, mas a fiscalização branda e as tensões geopolíticas elevam os riscos.”
No Brasil, nomes como Vale e CBA são citados como potenciais atores, embora a XP observe que “Semelhantemente, apesar de deter áreas em regiões promissoras, a CBA [CBAV3] não alocou capital relevante para exploração de terras raras, e sua potencial aquisição pela Chinalco/Rio Tinto reduz ainda mais, no curto prazo, a opcionalidade em torno desse tema”, avaliam os analistas.
Em resumo, a tese de investimento em terras raras alia forte potencial de demanda estrutural e riscos elevados, por isso, segundo a XP, a estratégia mais adequada é a diversificação, com destaque para ETFs como o REMX, enquanto o Brasil caminha para ganhar relevância na cadeia global.