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Tesouro Direto: taxas disparam até 12 pontos com guerra no Irã, petróleo dispara e temores de inflação pressionam prefixados e IPCA+

As taxas do Tesouro Direto abriram o mês de março em forte alta nesta segunda-feira, apagando as quedas vistas nas últimas sessões de fevereiro.

O movimento foi disseminado ao longo da curva, com pressão vinda do exterior por causa da escalada das tensões no Oriente Médio e da disparada do petróleo, reacendendo temores inflacionários.

O dólar também opera em alta frente ao real, contribuindo para o ajuste das taxas locais, conforme informação divulgada pelo g1.

Como ficaram os prefixados e as taxas curtas e longas

O aumento foi visível entre os títulos prefixados, com dados que mostram os movimentos mais recentes da curva. O Tesouro Prefixado 2029 subiu de 12,68% para 12,79%, enquanto o Prefixado 2032 avançou de 13,27% para 13,39%.

No vencimento mais longo dessa família, o prefixado com juros semestrais 2037 passou de 13,50% para 13,61%, refletindo a aversão ao risco e a maior preocupação com inflação futura.

IPCA+ também registra alta, devolvendo mínimas recentes

Os papéis atrelados à inflação também subiram, com destaque para a ponta longa real que vinha comprimida nas últimas semanas. O juro real do IPCA+ 2032 foi de 7,39% para 7,45%, o do IPCA+ 2040 subiu de 6,96% para 7,04% e o do IPCA+ 2045 avançou de 6,96% para 7,05%.

O IPCA+ 2050 saiu de 6,73% para 6,82%, devolvendo parte da mínima do ano atingida na sexta-feira, e o IPCA+ 2060 foi de 6,91% para 6,99%, mostrando reajuste na ponta mais longa.

Impacto externo, petróleo e cenário para o Fed

Nos Estados Unidos, os Treasuries caem com investidores reduzindo apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve. A taxa de 10 anos subiu para 3,97%, enquanto o rendimento de dois anos avançou para 3,42%.

O mercado passou a precificar o próximo corte apenas em setembro, após a disparada do petróleo e o fechamento do Estreito de Ormuz elevarem o risco de nova pressão inflacionária global.

Reações domésticas e avaliação de autoridades

Na visão de analistas, a leitura do momento não é a de busca por porto seguro tradicional, mas sim de preocupação com o repasse da alta do petróleo à inflação. “A política de suavização de preços da Petrobras tende a retardar o repasse da alta internacional para combustíveis, com o diesel devendo subir antes da gasolina, dado o maior peso das importações e a defasagem acumulada”, avalia Leonardo Costa, economista do ASA.

Do lado do governo, segundo o secretário do Tesouro, Rogério Ceron, a economia deve suportar uma alta do petróleo até US$ 85 sem risco de maior inflação duradoura, mas admitiu que a guerra pode influenciar o trabalho do Banco Central.

Com esse cenário, o Tesouro Direto opera com taxas mais altas no começo de março, refletindo incertezas externas, alta do petróleo e ajuste cambial, fatores que devem seguir influenciando a curva de juros nas próximas sessões.