Trabalho infantil registra redução de 151 mil pessoas em 2025, taxa cai para 4%, porém 1,499 milhão de crianças e adolescentes ainda trabalham, com diferenças por raça, gênero e renda
O país apresentou uma redução no número de crianças e adolescentes em trabalho infantil em 2025, porém a persistência do problema segue alta em grupos vulneráveis.
A queda foi expressiva em relação a 2024, mas os dados revelam desigualdades fortes por raça, gênero e região, que mantêm milhões em situação de vulnerabilidade.
Os números e perfis abaixo foram divulgados pelo IBGE após pesquisa do módulo experimental de Trabalho de Crianças e Adolescente de 5 a 17 anos da Pnad Contínua, divulgados nesta sexta-feira (16/10), conforme informação divulgada pelo IBGE.
Queda anual e panorama geral
Em 2025, o Brasil registrou 1,499 milhão de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, o equivalente a 4% da população nessa faixa etária. Em 2024, este contingente era de 1,65 milhão.
Segundo o IBGE, o número reduziu e há 151 mil (-9,2%) jovens a menos nessa condição em relação a 2024. Com o resultado, 2025 passa a ser o ano com menor percentual de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil na série histórica.
Do total, 1,141 milhão realizavam atividades econômicas e 358 mil produziam apenas para o próprio consumo, segundo o módulo experimental de Trabalho de Crianças e Adolescente de 5 a 17 anos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, Pnad Contínua.
Desigualdades por raça e gênero
Entre as crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil, 67% são pretas ou pardas, enquanto brancos somam 32%. Esses números mostram que a presença do trabalho infantil é maior entre populações historicamente mais vulneráveis.
Em relação ao gênero, os homens eram 65,4% dos trabalhadores infantis, enquanto as mulheres compunham 34,6%. De 2024 para 2025, o contingente do sexo masculino reduziu de 1,089 milhão para 980 mil, queda de 10%, enquanto a população feminina passou de 561 mil para 519 mil, redução de 7,5%.
Rendimento e diferenças regionais
O rendimento médio dos trabalhadores infantis também apresenta desigualdade, com meninos recebendo em média R$ 1.006 e meninas R$ 782, resultando em média geral de R$ 967. Entre pretos ou pardos o rendimento médio era de R$ 925, aumentando para R$ 964 entre brancos.
Por região, Nordeste e Centro-Oeste apresentaram as reduções mais acentuadas no número de pessoas de 5 a 17 anos em trabalho infantil em relação a 2022, com quedas de 29,2% e 20,5%, respectivamente. Ainda assim, as diferenças regionais permanecem relevantes.
Programas sociais e contexto
O IBGE também informou que cerca de 13,1 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos residiam em casas beneficiadas pelo Bolsa Família em 2025, o equivalente a 34,7% desse grupo etário. Esse dado mostra o papel de políticas públicas no contexto social em que o trabalho infantil ocorre.
Embora a redução de 151 mil (-9,2%) seja um avanço estatístico, especialistas e gestores apontam que é preciso aprofundar ações direcionadas às populações mais afetadas, com foco em raça, gênero e acesso à renda e educação, para consolidar a tendência de queda.