XP Investimentos detalha carteira com 13 ações preferidas para o 2º semestre em cenário desafiador
A XP Investimentos divulgou um relatório detalhado com suas principais recomendações de ações para o segundo semestre de 2024. A análise leva em conta um cenário macroeconômico marcado por juros elevados, inflação persistente e maior volatilidade eleitoral, buscando empresas com forte geração de caixa e balanços resilientes.
O foco está em companhias expostas a temas estruturais, como commodities, infraestrutura e tecnologia. A equipe de análise da XP selecionou as chamadas “top picks” em 13 setores distintos da Bolsa brasileira, visando oferecer um guia para investidores em um ambiente de mercado mais complexo.
O relatório “Onde Investir – 2º Semestre” da XP Investimentos traça um mapa das melhores oportunidades, combinando a análise micro das empresas com uma visão macroeconômica, conforme informações divulgadas pela própria XP.
Commodities e Ativos Reais em Destaque
Setores ligados a commodities ganham protagonismo, especialmente com a alta do petróleo e tensões geopolíticas. A XP destaca a PRIO (PRIO3), que se beneficia do petróleo acima de US$ 100 o barril, com expectativa de forte geração de caixa e avanços em projetos como Wahoo. A mineradora Aura Minerals (AURA33) é outra escolha, impulsionada pelos fundamentos positivos do ouro e projetos em expansão.
Na indústria de papel e celulose, a Suzano (SUZB3) é vista como uma opção defensiva, com vantagens de custo e exposição global. Esse grupo de empresas ligadas a commodities e ativos reais tende a funcionar como uma proteção em cenários de inflação elevada e juros altos, oferecendo resiliência aos portfólios.
Setor Financeiro e Ciclos Domésticos
No setor financeiro, a XP recomenda cautela com o crédito, mas enxerga valor em instituições consolidadas. O Itaú (ITUB4) é o principal nome, beneficiado por sua resiliência operacional e gestão de risco, mesmo com uma deterioração marginal na qualidade do crédito. A XP evita nomes com maior exposição a crédito mais arriscado, refletindo o cenário macro desafiador.
Para os setores cíclicos domésticos, a sensibilidade aos juros exige escolhas criteriosas. A Cury (CURY3) é destacada entre as construtoras por sua forte geração de caixa, baixa alavancagem e foco no segmento de baixa renda, que demonstra demanda resiliente. No varejo, a Lojas Renner (LREN3) é a preferida, com uma estrutura financeira sólida e capacidade de execução, apesar do consumo pressionado.
Infraestrutura, Indústria e Tecnologia
Empresas de infraestrutura e serviços regulados com fluxo de caixa previsível ganham relevância. A Equatorial (EQTL3) é apontada como principal nome em elétricas, apoiada por uma agenda regulatória favorável e potencial de reprecificação com eventual queda de juros. Na área de saneamento, a Sabesp (SBSP3) lidera, com destaque para ganhos de eficiência e a agenda de privatizações.
Na indústria e transporte, a XP identifica oportunidades em empresas com visibilidade de receitas. A Embraer (EMBJ3) possui um backlog robusto e potencial de crescimento em defesa e aviação, além de um valuation atrativo. A Localiza (RENT3) combina disciplina de preços, demanda sólida e otimização de custos. Em tecnologia, a TOTVS (TOTS3) é a principal aposta, com um modelo defensivo, crescimento consistente e exposição à digitalização e inteligência artificial.
Imobiliário Corporativo e Perspectivas Futuras
No segmento imobiliário corporativo, a Iguatemi (IGTI11) se destaca por seu portfólio de alto padrão, crescimento operacional e geração de valor através de aquisições. A XP avalia que o ambiente para ações brasileiras no segundo semestre será mais desafiador, exigindo disciplina na escolha de ativos.
A casa de análise reforça a importância de buscar empresas de alta qualidade, com balanços sólidos e geração de caixa consistente. Apesar dos desafios, a XP vê oportunidades após a recente correção da Bolsa, com indicadores de sentimento em níveis de “pessimismo extremo”, historicamente associados a bons pontos de entrada no mercado.

