Entenda como fatores econômicos, crise institucional e movimentos do centro influenciaram o resultado do 1º turno e o cenário incerto para os 2º turnos nas eleições presidenciais do Brasil
O 1º turno trouxe surpresas e revelou que a disputa pelos 2º turnos nas eleições presidenciais do Brasil será definida por múltiplos fatores, entre economia e política institucional.
Do lado econômico, a percepção de estagnação e dificuldades cotidianas pesou no eleitorado, enquanto episódios recentes no Supremo Tribunal Federal mobilizaram eleitores em direção a candidaturas alternativas.
No curto prazo, a fragmentação do centro e a leitura dos riscos institucionais estão moldando decisões, deixando o quadro do 2º turno ainda de alta imprevisibilidade.
conforme análise divulgada por Ricardo Guedes, Ph.D., CEO da Sensus.
Economia e governabilidade como causas estruturais da derrota no 1º turno
Ricardo Guedes afirma que Lula perdeu o 1º turno por dois motivos, sendo o primeiro de caráter estrutural, ligado à economia e à forma de governar.
O autor destaca que o Brasil vive um período de baixo dinamismo, com o PIB estancado em cerca de US$ 2,2 trilhões desde 2010, e que a linha econômica do atual mandato “não funcionou, sem desenvolver o país”.
Na avaliação citada, a população percebe preços de alimentos e bens básicos como muito altos em comparação a anos anteriores, e 82% das famílias brasileiras encontram-se endividadas em situação de inadimplência, impacto direto no humor eleitoral.
Além disso, o texto menciona uma crise fiscal “contratada” para 2027, e aponta que, ao contrário dos primeiros governos de Lula, neste mandato o governo foi mais estritamente partidário, o que teria levado à perda do centro político no final do 1º turno.
Crise do STF e efeitos conjunturais na transferência de votos
O segundo motivo apontado é conjuntural, centrado na crise do STF, que funcionou como gatilho para uma virada em favor de Flávio Bolsonaro neste 1º turno.
Relatos citados por Ricardo Guedes descrevem episódios de indignação em grupos empresariais na véspera do pleito, com eleitores redefinindo votos motivados por tensões institucionais.
Esse movimento, alimentado pela crise do STF, tornou-se forte nas urnas e deslocou eleitores do centro em direção a candidaturas oposicionistas.
O papel de fatores externos e a percepção do risco
A análise também ressalta que choques externos influenciaram o quadro, citando que “Trump deu uma sobrevida a Lula com as tarifas fazendo com que o centro se unisse em torno do governo para a defesa de seus interesses”.
No entanto, conclui-se que o que Trump deu de um lado, a crise do STF tirou do outro, com o centro evadindo de Lula no final do 1º turno em direção a Flávio Bolsonaro.
Segundo o texto, as eleições deste ciclo se configuram como a eleição do “menos pior”, definida em grande parte pela guerra das rejeições, pelas pesquisas quantitativas e qualitativas, e pela sequência de escândalos que possam surgir.
Abstenção, brancos e nulos não explicam as mudanças, e o 2º turno segue indefinido
O comentário traz ainda dados de participação que indicam estabilidade entre as eleições recentes, mostrando que a variação de abstenção, brancos e nulos não justificaria as alterações de voto observadas.
Os percentuais mencionados são, para o 1º turno de 2022, 25,36%, para o 2º turno de 2022, 25,02%, e para o 1º turno de 2026, 25,16%, valores que, segundo a análise, não explicam por si só a migração de eleitores.
Hoje, aponta Ricardo Guedes, as expectativas para os 2º turnos estão ligeiramente mais favoráveis a Flávio Bolsonaro, mas o quadro geral permanece de baixa previsibilidade, porque o voto se dá em grande medida pela avaliação de risco entre um governo ineficaz e a incerteza de rupturas institucionais.
Para as próximas semanas, a disputa entre os 1º e 2º turnos nas eleições presidenciais do Brasil deve se definir pela capacidade das campanhas de mobilizar o centro, administrar narrativas sobre a economia e responder às crises institucionais que surgirem.

