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Celular de porteira condenada pelo 8/1 tinha vídeo dentro do plenário do Senado, gravações da PF ajudaram a ampliar a denúncia e sustentar pena de 14 anos

Investigadores da Polícia Federal localizaram no aparelho, durante perícia em maio de 2024, vídeos gravados em dois pontos do Congresso Nacional, que registram a presença da porteira Nailze Aparecida Ribeiro Silva.

As imagens, conforme apurado, mostram Nailze dentro do plenário do Senado, próxima a um assento destinado aos senadores, e também junto à rampa do Congresso, ao lado do espelho d’água. Os arquivos foram encaminhados em grupos de WhatsApp e integraram o laudo da PF.

Esses registros foram determinantes para que a Procuradoria-Geral da República ampliasse a denúncia contra a ré, mudando a acusação de incitação e associação criminosa para crimes mais graves, conforme informação divulgada pela Coluna Manoela Alcântara

O que os vídeos mostram e como a PF os encontrou

O celular de porteira foi periciado pela Polícia Federal em maio de 2024, e reuniu ao menos dois vídeos, segundo apuração.

Em um dos vídeos, ela aparece dentro do plenário do Senado, com a câmera apontada para a Mesa, onde havia manifestantes, e próxima a um assento destinado aos senadores.

Em outro registro, a gravação a mostra próxima à rampa do Congresso Nacional, já do lado de fora, ao lado do espelho d’água. Ainda segundo a PF, os dois vídeos foram encaminhados em grupos de WhatsApp.

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Impacto das imagens na investigação e na denúncia da PGR

Inicialmente, a Procuradoria-Geral da República limitava a acusação aos crimes de incitação e associação criminosa, por não possuir provas de participação nas invasões à Praça dos Três Poderes.

Com o relatório da PF, a PGR concluiu que a conduta dela não se restringiu à incitação no acampamento, mas avançou para a participação nas invasões aos prédios públicos, por isso, o órgão ampliou a denúncia para incluir os crimes de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Além disso, foi expedido mandado de prisão pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que já foi encaminhado à PF, embora a ordem ainda não tenha sido cumprida.

Condenação, pena e defesa

Nailze foi condenada a 14 anos de prisão em julgamento virtual realizado entre 15 e 22 de maio deste ano. A pena soma 12 anos e seis meses de reclusão e um ano e seis meses de detenção, além de 100 dias-multa.

Por maioria, o tribunal a condenou por cinco crimes, associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, e também fixou indenização mínima de R$ 30 milhões por danos morais coletivos, a ser paga de forma solidária com os demais condenados pelos ataques.

Atualmente, Nailze mora em São Bernardo do Campo, no estado de São Paulo, está em liberdade provisória e usa tornozeleira eletrônica. A ordem de prisão emitida por Moraes ainda não foi cumprida, e a coluna não conseguiu localizar a defesa dela.

Carta escrita pela ré e apelo à PGR

Em carta escrita à mão em dezembro de 2023, antes do relatório da PF e da ampliação da denúncia da PGR, a porteira pediu clemência ao procurador-geral, Paulo Gonet, e afirmou que participou de uma manifestação pacífica.

Na carta, ela escreveu, “Mais assim que cheguei no local dos fatos tive medo da bagunça e voltei pro Q.G no outro dia mandaram eu entra no ônibus e levaram nós pra federal onde eu fiquei por 9 dias na Colmeia presa”.

Em outro trecho, Nailze afirmou, “Eu não cometi ato nenhum de vandalismo senhor não entrei em lugar nenhum, apenas fiquei no espelho d’água mais logo fui embora. Senhor eu preciso trabalhar tenho uma mãe de 84 anos que não posso vê-la por causa da tornozeleira”.

Essas declarações constam nos autos e foram consideradas no conjunto probatório, mas não impediram a ampliação da denúncia, nem a condenação aplicada pelo tribunal.

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