Antes do anúncio de reajuste da Petrobras, os preços dos combustíveis no Brasil apresentaram uma tendência de queda em maio, refletindo um movimento de acomodação no mercado. A gasolina e o diesel registraram recuos, enquanto o etanol se destacou com a maior redução percentual.
O levantamento, realizado pela ValeCard entre 1º e 26 de maio, capturou um cenário de preços mais baixos antes da comunicação oficial da Petrobras sobre ajustes. Essa queda reforça a percepção de um mercado em busca de equilíbrio, influenciado por diversos fatores.
O etanol, em particular, mostrou uma performance notável, impulsionado pela safra de cana-de-açúcar e maior oferta. A gasolina e o diesel S-10 também seguiram a tendência de recuo, indicando uma desaceleração nos custos para os consumidores.
No entanto, o diretor de Mobilidade e Operações da ValeCard, Marcelo Braga, ressalta que o cenário ainda exige atenção. A volatilidade nos preços internacionais do petróleo e as incertezas globais, como o conflito no Oriente Médio, continuam a exercer pressão sobre a formação de preços no Brasil.
Etanol lidera a queda com avanço da safra
O etanol anidro registrou a **maior queda média em maio, com 5,31%**, impulsionado pelo aumento da oferta decorrente da safra de cana. Essa maior disponibilidade tornou o biocombustível mais competitivo em relação à gasolina em diversas regiões, especialmente no Centro-Sul do país.
Essa redução no preço do etanol foi mais expressiva nos estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, onde as quedas foram mais significativas em todo o território nacional. A competitividade do etanol se consolida quando seu preço é igual ou inferior a 70% do valor da gasolina, considerando a autonomia de cada veículo.
Gasolina e Diesel S-10 também recuam, mas com heterogeneidade regional
A gasolina apresentou uma **retração média de 0,77% em maio**, sendo observada na maioria dos estados brasileiros. Os movimentos de queda foram mais acentuados nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul.
O diesel S-10, por sua vez, teve uma **leve queda de 0,41% na média nacional**. Contudo, o comportamento regional do diesel demonstrou heterogeneidade, com retrações generalizadas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto algumas regiões do Norte e Nordeste ainda registraram altas pontuais.
Cenário demanda cautela com pressões externas e subsídios
Marcelo Braga, da ValeCard, enfatiza que, apesar da queda observada, o mercado de combustíveis permanece sensível. As discussões sobre **novos subsídios federais para gasolina e diesel** podem aliviar a pressão de alta no curto prazo, mas os fatores internacionais continuam sendo determinantes.
A **volatilidade do petróleo no mercado internacional** e as incertezas geopolíticas, como o conflito no Oriente Médio, impactam diretamente a formação de preços no Brasil. Essa instabilidade explica, em parte, a variação regional nos preços do diesel S-10, por exemplo.
Estados que se beneficiam do etanol em maio
Considerando a relação de custo-benefício financeiro, onde o preço do etanol deve ser igual ou inferior a 70% do preço da gasolina, alguns estados se destacaram em maio. São eles: Amapá, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Roraima e São Paulo.