Desde o início do ano até o último sábado, 30 de maio, o brasileiro dedicou todos os seus dias de trabalho exclusivamente ao pagamento de impostos. Essa média alarmante foi calculada pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), que analisou a incidência de tributos sobre a renda, o consumo e o patrimônio dos cidadãos.
São, em média, 150 dias de trabalho anualmente destinados a pagar impostos, taxas e contribuições. Este número representa quase o dobro do tempo exigido em 1986, quando a estimativa era de apenas 82 dias. A crescente carga tributária demonstra um impacto significativo no orçamento familiar e na capacidade de investimento do país.
Além dos cálculos do IBPT, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) monitora em tempo real o volume de recursos gastos com impostos através do Impostômetro. Até o dia 29 de maio, este painel online já registrava a impressionante marca de R$ 1,694 trilhão arrecadados. A ACSP estima que, se esse montante fosse aplicado na poupança, renderia R$ 328 milhões em juros semanalmente.
Impacto da carga tributária varia conforme a renda
O estudo do IBPT detalha que o peso dos impostos não é distribuído igualmente entre a população. A análise considerou três faixas de renda mensal: até R$ 3.000, entre R$ 3.000 e R$ 10.000, e acima de R$ 10.000. A ponderação da carga tributária inclui impostos federais, estaduais e municipais, como IRPF, INSS, ICMS, IPI, ISS, IPVA, IPTU, além de taxas e contribuições diversas.
Os resultados indicam que a faixa de renda entre R$ 3.000 e R$ 10.000 é a mais penalizada em termos de dias trabalhados para pagar tributos, totalizando 157 dias. Contudo, o comprometimento da renda é maior para aqueles que ganham até R$ 3.000, com 23,4% do rendimento bruto sendo destinado unicamente a impostos, o que corresponde a 143 dias de trabalho.
Aumento de impostos e alíquotas impulsionam a elevação dos dias trabalhados
O IBPT aponta que a criação de novos impostos e o aumento das alíquotas são os principais responsáveis pelo crescimento constante nos dias de trabalho dedicados ao pagamento de tributos. De maio de 2025 a maio deste ano, diversos estados elevaram as alíquotas do ICMS, como Maranhão (de 22% para 23%), Rio Grande do Norte (de 18% para 20%) e Piauí (de 21% para 22,5%).
O aumento da alíquota do ICMS sobre importações via Programa Remessa Conforme também contribuiu, com a taxa de 20% impactando dez estados a partir de 1º de abril de 2025. Adicionalmente, a cobrança de 20% do Imposto de Importação sobre compras internacionais de até US$ 50, oficializada em 1º de agosto de 2024, mesmo com a recente isenção, elevou a tributação no período analisado.
Outros tributos que sofreram aumentos e impactaram a carga tributária incluem o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que afetou crédito para empresas, câmbio, previdência privada, seguros e operações financeiras em geral. A tributação sobre apostas esportivas (bets) subiu de 12% para 15%, e a Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) aumentou, impactando fintechs e bancos digitais.
Houve também elevação no Imposto de Renda de Juros sobre Capital Próprio (JCP), de 15% para 17%, e no Imposto de Importação para alguns produtos de tecnologia, com tarifas subindo até 7,2 pontos percentuais. Esses aumentos reiteram a tendência de elevação da carga tributária no Brasil, exigindo cada vez mais dias de trabalho do cidadão para cumprir suas obrigações fiscais.