Dólar fecha em alta e atinge R$ 5,04 em dia de fuga de investidores estrangeiros da bolsa brasileira.

O dólar encerrou a sessão de sexta-feira em alta no Brasil, atingindo a marca de R$ 5,0453. O dia foi marcado por um sentimento negativo para os ativos brasileiros, com saída expressiva de capital estrangeiro da bolsa de valores e um clima de cautela em relação às perspectivas econômicas.

Enquanto isso, no cenário internacional, os agentes financeiros aguardavam desdobramentos nas tensões entre Estados Unidos e Irã. A moeda norte-americana acumulou um ganho de 0,27% na semana e um expressivo 1,82% no mês de maio, refletindo um apetite menor por riscos em economias emergentes.

A Ptax, taxa de referência calculada pelo Banco Central, que serve para liquidação de contratos futuros, esteve no centro das atenções na primeira metade do dia. Agentes financeiros tentam influenciar essa taxa ao final do mês para beneficiar suas posições, seja compradas ou vendidas em dólar. Conforme informações divulgadas pela Reuters, a Ptax foi definida no início da tarde em R$ 5,0563 para compra e R$ 5,0569 para venda.

Saída de Investidores Estrangeiros Aumenta Pressão sobre o Dólar

O fluxo de saída de investimentos estrangeiros da bolsa brasileira tem sido um dos principais impulsionadores da alta do dólar. De janeiro a abril, a bolsa havia recebido R$ 42,4 bilhões em investimentos estrangeiros, mas somente em maio, até o dia 27, R$ 14,1 bilhões deixaram o mercado. Esse movimento, segundo Tadeu Arantes, head de alocação da gestora Ghia, explica a mudança na dinâmica do fluxo global, que antes beneficiava o Brasil.

Arantes destaca que o fluxo para emergentes continua, mas direcionado a países que se beneficiam mais da inteligência artificial, como Taiwan e Coreia do Sul, deixando o Brasil em segundo plano. Essa menor atratividade para o capital internacional impacta diretamente a cotação da moeda americana.

PIB em Alta, Mas com Sombra da Inflação e Selic

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2026 apresentaram um avanço de 1,1% em relação ao trimestre anterior, superando as expectativas dos economistas, que projetavam 1,0%. Na comparação anual, o crescimento foi de 1,8%, em linha com o esperado.

No entanto, o resultado robusto do PIB levanta preocupações sobre a inflação e pode colocar em xeque a continuidade do ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, a Selic está em 14,50% ao ano, um patamar significativamente mais alto que o de países como EUA e Japão, o que vinha sendo um atrativo para a entrada de dólares no Brasil.

Novas Tensões Geopolíticas e o Impacto nos Ativos Brasileiros

Um novo fator de atenção surgiu com a notícia de que os Estados Unidos pretendem designar como organizações terroristas facções criminosas brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Embora os efeitos macroeconômicos e sobre as empresas ainda não estejam claros, há uma percepção de que os prêmios de risco para os ativos brasileiros podem aumentar.

“É um fator a mais a ser considerado na hora de o estrangeiro alocar no Brasil”, avaliou Tadeu Arantes. Essa incerteza geopolítica adiciona uma camada de complexidade ao cenário de investimentos no país.

Cenário Externo e a Incógnita do Acordo EUA-Irã

No cenário internacional, os holofotes voltaram-se para o Oriente Médio. O presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que tomaria uma decisão sobre um acordo com o Irã. Uma fonte iraniana, por outro lado, sinalizou que um entendimento político ainda não havia sido finalizado. Essa indefinição manteve os mercados em compasso de espera, com o dólar apresentando sinais mistos frente a outras moedas no exterior.

No final da tarde, o índice do dólar, que mede seu desempenho contra uma cesta de seis moedas, caía 0,06%, a 98,932. A expectativa por uma definição no conflito entre EUA e Irã continua sendo um ponto de atenção para os mercados globais e, consequentemente, para os ativos brasileiros, conforme apurado pela Reuters.

By Vanessa