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Flávio Bolsonaro precisará de agenda econômica para 2026, 2018 não se repete, alerta cientista política

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Cientista política Lara Mesquita adverte: Flávio Bolsonaro enfrenta novo cenário em 2026, exigindo agenda econômica e social

A corrida presidencial de 2026 pode apresentar um desafio distinto para Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em comparação com a campanha de seu pai em 2018. Se, há oito anos, Jair Bolsonaro capitalizou a rejeição ao PT e o discurso anticorrupção para chegar ao Planalto, o contexto atual demanda mais substância dos candidatos.

A cientista política Lara Mesquita, da FGV, avalia que o principal obstáculo para Flávio não reside apenas em superar a máquina pública ou um presidente em busca de reeleição. O cerne da questão será a apresentação de um projeto de governo capaz de responder às preocupações econômicas e sociais futuras.

“Agora o governo Flávio tem que ter uma agenda. Ele vai sofrer com essa falta de controle do orçamento. Diferente do que aconteceu lá atrás. Diferente do que aconteceu no governo Bolsonaro. Vai ter que apresentar qual é o meu plano. Qual é o meu plano na economia? Qual é o meu plano na saúde? Na segurança pública? Vai ter que trazer uma agenda. Esse é o principal desafio para quem desafia o governo”, disse Mesquita no programa Mapa de Risco, do InfoMoney.

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Congresso mais poderoso limita ação do Executivo

Essa observação decorre de uma mudança estrutural na política brasileira. Desde o governo Bolsonaro, o Congresso Nacional ampliou seu poder sobre o orçamento, principalmente via emendas parlamentares. Isso reduziu a capacidade de ação do Executivo, tornando mais difícil a promessa de soluções rápidas para problemas complexos.

Vantagem de quem governa e a memória curta do eleitor

Lara Mesquita ressalta a diferença entre a posição de Lula, o atual presidente, e a de Flávio Bolsonaro. Enquanto Lula pode apresentar programas e resultados de governo, o senador precisa convencer sobre sua capacidade de gerir um cenário cada vez mais complexo. “Quem governa parte de uma vantagem natural. Normalmente a gente brinca que o governo perde a eleição. É muito difícil o adversário ganhar. O governo é o favorito porque ele está controlando a máquina, porque ele teve a chance de passar quatro anos em evidência construindo a sua reputação, entregando benefícios”, explicou.

A lógica eleitoral, segundo a especialista, tende a favorecer quem já está no poder se a percepção econômica for positiva ou, no mínimo, não gerar grande insatisfação. “Se está tudo bem, é muito difícil você falar: vou trocar esse governo que está indo bem para apostar em algo incerto.”

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Economia como fiel da balança em 2026

Especialistas concordam que a economia continuará sendo o principal critério de avaliação para o eleitorado. Estudos em ciência política e economia eleitoral indicam que a percepção econômica nos meses que antecedem a eleição tem um peso desproporcional na decisão do voto. “A gente tem vários estudos que mostram que o mais importante é essa percepção nos últimos seis meses antes da eleição. Isso a gente tem estudos da economia política, da ciência política, da economia que mostram que a memória do eleitor é de curto prazo quando diz respeito à economia”, afirmou Mesquita.

Isso explica a estratégia do governo em focar em medidas de renda, crédito e consumo perto da campanha. Contudo, aumenta a pressão sobre a oposição. Se a situação econômica melhorar, Flávio Bolsonaro precisará apresentar propostas que justifiquem a troca de governo.

Segurança pública não será suficiente para vencer

Embora a segurança pública permaneça como uma bandeira forte da direita e seja uma preocupação central dos brasileiros, analistas acreditam que ela dificilmente sustentará, sozinha, uma candidatura presidencial competitiva. A eleição de 2026 deve ser decidida por uma combinação de fatores econômicos, sociais e fiscais.

Nesse contexto, a capacidade de apresentar um plano para crescimento, emprego, inflação e contas públicas pode se tornar tão crucial quanto os debates sobre criminalidade. Para Lara Mesquita, é esse o ponto que diferencia a disputa atual daquela vencida por Jair Bolsonaro em 2018, quando o desgaste do sistema político tradicional e a Lava Jato dominaram o cenário. Hoje, a discussão se volta cada vez mais para a capacidade de governar, área onde, segundo especialistas, a candidatura de Flávio Bolsonaro precisa ainda mostrar suas propostas concretas para o Palácio do Planalto.

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